Ficha completa garante qualidade
No ano que vem os países que compõem a União Européia só comprarão carne de países produtores que embalem e identifiquem o produto, através de informações em códigos de barras, com todo o histórico do animal que produziu aquela carne. No Brasil deverá começar a valer a tipificação de carcaças nas indústrias, que deverão estar adequadas ao padrão de qualidade e cortes exigidos para a exportação.
De olho no mercado externo, criadores de limousin, do Núcleo Paranaense da raça, já estão iniciando o sistema de rastreabilidade em seus rebanhos, a fim de atender essa exigência de mercado. No País outras raças têm feito trabalho semelhante, como o nelore ou os animais angus, entre outros.
Josoé de CarvalhoVezozzo:A rastreabilidade garante informações sobre todo o processo da produção de carne.InéditoParte do trabalho dos criadores de limousin foi apresentada na Exposição de Londrina, no primeiro turno da mostra, de 8 a 11/4, com a realização de um leilão de cruzados, no dia 8, já no esquema de rastreabilidade.
O presidente do Conselho Técnico do Núcleo Paranaense de Criadores de Limousin, Marcelo Vezozzo, garante que foi um leilão inédito na América Latina, onde poucos criadores até agora adotaram o sistema de rastreabilidade.
Os criadores do Paraná e Mato Grosso do Sul, que venderam no leilão, segundo Vezozzo estão no projeto chamado Sistema Integrado de Produção, desenvolvido pelo núcleo e Associação Brasileira de Criadores de Limousin, em conjunto com a empresa de genética Araucária.
Na produção do animal cruzado, com os brincos de identificação, é possível obter todas as informações desde o nascimento, local de procedência, sexo, idade, peso, pai e mãe. O pecuarista contrata este serviço de identificação, feito pelo núcleo, e abre caminho para uma negociação melhor nos frigoríficos.
O sistema de rastreamento, devido ao investimento necessário, deverá começar no Brasil, através de anotações em papel, diferente de outros países onde já é usado o chipe eletrônico no animal. A rastreabilidade, afirma Vezozzo, engloba dados desde o nascimento até o abate do animal. É um método que garante informações sobre todo o processo da produção de carne.
Na pistaUso de boa genética garante animais melhores no resultado dos cruzamentosA exigência da rastreabilidade, de acordo com Vezozzo, começou após a história da vaca-louca na Europa. Foi preciso criar mecanismos de controle da qualidade da carne. Governo, criadores e associações começaram a usar um sistema de controle dos animais desde o nascimento, manejo, controle sanitário e nutricional, até que a carne chegasse ao consumidor, garantindo a segurança e qualidade para quem fosse consumir o produto.
Esta exigência, segundo Vezozzo, agora passou a valer para quem vende carne para esses mercados, que são extremamente atraentes. A carne no mercado externo chega a valer quatro vezes mais. Isto atrai cada vez mais os pecuaristas que buscam tecnologias para produzir mais e melhor, e obter maior remuneração.
Vezozzo lembra que a adoção da rastreabilidade só é viável quando se usa boa genética. No cruzamento, quando se tem genética pura e consistente, boa escolha dos animais, o resultado é perfeito, a heterose (choque de sangue) é alta e se tem pouco refugo, explica.
Todo o trabalho da rastreabilidade está sendo adotado pelo Núcleo de Criadores, que tem atualmente 60 associados. Segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Limousin, são 15 mil animais, entre puros, puros por cruza e mestiços em todo o País. O Paraná tem 30% do rebanho nacional da raça.
O sistema implantado pelos criadores do Núcleo Paranaense, segundo Vezozzo, é simples e inclui uso de brincos nos animais, com identificação e tatuagem. A partir do número no brinco de cada animal é possível anotar as informações, por computador ou outro meio, e acompanhar passo-a-passo a vida do animal, até o abate. A indústria também poderá continuar a rastreabilidade nas suas instalações e exportar para o mercado europeu, obtendo melhor remuneração para a carne e, consequentemente, pagando melhor o pecuarista.
Outros tiposExistem métodos como brincos eletrônicos, brincos eletrônicos com códigos de barra, usados na orelha dos bovinos, além de pulseiras com chipes em umas das mãos do animal; ou chipes implantados no rume, entre outros.
Uma empresa no Brasil, a Agropecuária Dahma, trabalha há dois anos com rastreabilidade. A empresa é uma das maiores do Programa de Qualidade Total para Carne Bovina, coordenado pelo Fundo de Desenvolvimento Pecuário (Fundepec), de São Paulo. A identificação eletrônica é usada em todo o rebanho do grupo que comanda a Dahma. São 12 fazendas localizadas nos Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, totalizando rebanho de 90 mil cabeças na produção de novilhos de corte.Leilão de animais rastreados, a partir do cruzamento, atraiu criadoresCláudia Barberato





