Paulo WolfgangFuturoO plantio adensado renova os ânimos dos produtores, que voltam a plantar café em Ribeirão ClaroA terra pioneira em café adensado está em clima de festa. Desde ontem, Ribeirão Claro (a 175 quilômetros de Londrina) promove a 1ª Fescafé, e deve reunir cerca de 30 mil visitantes de toda a região. A Festa do Café foi organizada para se tornar tradição no município, que revive os ‘‘áureos’’ tempos da cafeicultura, das grandes colheitas e dos animados bailes comemorativos.
A cafeicultura de Ribeirão Claro, segundo os antigos produtores, é a continuação da ‘‘marcha para o Oeste’’ dos paulistas, que adentraram o Paraná em busca de perspectivas de lucro. ‘‘Desde 1895 as terras do município apresentavam-se aos olhos dos paulistas e mineiros (plantadores de café) como favoráveis para o incremento do cultivo do caf钒, conta o produtor Ovídio Fabiani.
Segundo ele, já em 1915, o município alcançou uma lavoura estimada em 2,5 milhões de pés de café e em 1927 chegava aos 5 milhões de plantas em produção. ‘‘Proporcionando abundância de emprego a uma população de 20 mil habitantes, que entusiasmada vivia momentos de conforto e harmonia’’, comenta.
Declínio e recuperação Com as geadas dos anos de 42 e 75, o município perdeu cerca de 70% dos cafezais. Hoje, Ribeirão Claro tem 5,2 milhões de cafeeiros, em 2,3 mil hectares plantados, dos quais 350 hectares adensados. A produção anual é de 46 mil sacas, com produtividade média de 20 sacas beneficiadas por hectare.
A recuperação da atividade cafeeira está ocorrendo a partir da adoção da nova tecnologia de plantio com o adensamento das mudas. A Fazenda Jamaica, em Ribeirão Claro, foi o palco das primeiras apresentações do café adensado no Norte do Estado e o protagonista da história é o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Marcos Suplicy Hafers, proprietário da fazenda.
Segundo Hafers, a idéia de adensar café começou com tentativas de aumento de produção. ‘‘O primeiro talhão (T9) foi plantado em 1963, quando plantei 3 mudas em linha no espaçamento de 4 x 2metros. Como fui muito criticado, o segundo talhão (T8) em 1964, aumentei para 4 x 3metros’’, lembra.
Ele conta que como já trabalhava com reflorestamento, abandonou o critério de medir a produção ‘‘por p鑑 e adotou ‘‘por hectare’’. ‘‘Verifiquei que medindo por pé, a produção diminuia, mas por hectare, aumentava’’. Em 1967 o administrador Guardemiro Salvador, de Belo Horizonte, veio cuidar da fazenda. ‘‘Ele já tinha experimentado a técnica, mas não tinha convencido os fazendeiros, que ainda mediam a produção por p钒.
Hafers plantou, então, o café T 17-18 na densidade 2,70m por 1,40m. ‘‘Foi tão grande sucesso que os empregados apelidaram o administrador de boca-rica. Tivemos produções altas, pouca carpa e pouca arruação’’. Em 1972, a fazenda teve problemas com ferrugem e para combatê-la aumentaram o espaço para 3,5m x 2 metros para poder mecanizar a pulverização.
‘‘Com o controle da ferrugem os espaços foram diminuindo novamente. Em cinco safras (uma safra zero por poda) a produção foi de 76 sacas/hectare beneficiadas’’. Em 1990 Hafers recebeu apoio técnico de uma cooperativa em Maringá e do Iapar, ‘‘que tinha idéias favoráveis ao adensamento’’. Atualmente, após dois ciclos de poda completo, uma geada com prejuízos e a visita de 5 mil pessoas interessadas na tecnologia empregada, a fazenda vai contar este ano, com uma produção de 3,8 mil sacas beneficiadas, gerando emprego para 83 famílias.
ProgramaçãoHoje a partir das 9 horas, acontece o concurso Qualidade do Café com a prova da bebida, e em seguida danças típicas, shows e rodeio. ‘As 23h30 será o Baile Show com a Banda Café Brasil e eleição da Rainha do Café. Amanhã a programação será marcada por uma cavalgada pelas ruas da cidade, pela manhã e um bingo de um carro zero quilômetro à tarde. O encerramento será com o Show da dupla Teodoro e Sampaio.

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