Fertilizantes vão puxar os custos
A alta do petróleo no mercado internacional vai afetar a produção agrícola do próximo ano. Os fertilizantes, derivados da indústria petroquímica, têm acompanhado os saltos do preço do barril, o que vem provocando um aumento nos custos da agricultura. O analista André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, disse esta semana à Agência Estado que a área ainda deve ser maior do que a safra passada, mas o crescimento será menor.
O plantio de grãos no Brasil incorporou área em um ritmo superior a 3 milhões de hectares nas últimas duas safras. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o plantio atingiu 43,946 milhões de hectares em 2002/03, um crescimento de 3,727 milhões de hectares, ou 9,2%. Em 2003/04, o plantio passou para 47,258 milhões de hectares, com incorporação de 3,312 milhões de hectares, ou aumento de 7,5%. Mas na safra 2004/05 o crescimento da área plantada deve ser de cerca de 2 milhões de hectares porque os fundamentos são bem menos favoráveis, alerta Pessôa.
O aumento de custos é um dos responsáveis pelo novo cenário, além da queda de preços das commodities agrícolas no mercado internacional. Pessôa observa que parte dos produtores têm menos recursos para investimentos este ano por causa da quebra na última safra de soja. Eles também tiveram gastos inesperados para controlar a ferrugem asiática, doença que atingiu as lavouras de soja em várias regiões do País em 2003/2004.
A alta de custos é bastante expressiva. Estudo realizado em julho pela Agroconsult mostrou que o preço dos fertilizantes subiu 27,1% no último ano. O valor médio da tonelada FOB foi estimado em US$ 258,92, contra US$ 203,77 da mesma época do ano passado. No mesmo período apurado, o petróleo na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) acumulou alta de 19,7%, fechando julho com o preço médio de US$ 37,34 o barril.
Os fertilizantes são misturas que contêm nitrogênio, fósforo e potássio. E é justamente a parte nitrogenada dos ingredientes que puxa as cotações. O diretor-secretário da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Eduardo Daher, afirma que o preço da tonelada de importação da uréia - uma das principais fontes de nitrogênio - oscilou neste mês entre US$ 235 e US$ 240, com acréscimo de 38% em relação à cotação em meados de 2003. Já o preço da tonelada do sulfato de amônia, outra fonte de nitrogênio, está 30% mais alto do que em agosto do ano passado.
O preço do cloreto de potássio, o K da formulação básica NPK (nitrogênio, fósforo e potássio), será mais impactado pelo aumento do custo do frete marítimo. O Brasil é obrigado a importar 90% do potássio de que necessita porque não tem reservas suficientes do minério. Os países mais ricos em potássio são Canadá e Israel.





