Os preços altos dos fertilizantes comprometeram a renda do produtor no ano passado. Quando o custo é alto os efeitos transparecem também na mesa do consumidor. Foi o que aconteceu. Já em 2009 a indústria vai ter que escolher: ou mantém os preços estáveis ou haverá queda no uso de algumas fórmulas. Não há espaço para grandes altas.
A previsão é de preços mais administráveis. As vendas de adubos são fortes no segundo semestre (30%) por causa da safra de verão. Em 2008, o consumo era 8% maior até setembro e os números finais do ano devem mostrar queda de 9%. Os dados das indústrias apontam queda nos preços em cerca de 10% no final de 2008 em razão da queda na demanda, que gerou um estoque excessivo de matérias-primas na indústria.
Este ano a situação dos estoques é mais confortável. O setor tem 5,8 milhões de toneladas em estoque, volume suficiente para produzir adubos até abril e equivalente a quase três vezes o que tinha ao final de 2006.
Dos três nutrientes básicos da composição dos fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), apenas o preço do nitrogênio caiu. O comportamento do câmbio exerce forte influência e o dólar subiu 45%. Outro fator de custo é o ICMS. Para reduzir o preço do fertilizante seria preciso eliminar o ICMS interestadual e o Adicional de Renovação de Frete da Marinha Mercante.
A indústria de adubos considera que 2008 foi um ano de ganhos para o produtor por causa do preço dos grãos. Terá de levar em conta, também, que no Paraná e Rio Grande do Sul, grandes consumidores de fertilizantes, os produtores estão sendo prejudicados por forte seca. Isto vai aparecer em toda a cadeia produtiva.


SAIBA MAIS
Fatores que impedem que preços disparem em 2009
- Perspectiva de baixa nos preços das commodities no mercado mundial,
- Redução da demanda de grãos pela Europa, em função da crise econômica, ainda não superada no segundo semestre,
- Tendência de estabilidade no preço do dólar,
- Dólar estável impede grandes saltos nos preços da matéria-prima dos fertilizantes,
- A longo prazo, aumento do uso de adubo alternativo produzido na propriedade,
- Intenção de redução de custo de produção através do menor uso de insumos,
- Restrições aos financiamentos de custeio.







CONTROLE BIOLÓGICO
Os Estados Unidos praticam uma agricultura tecnificada e produtivista, fazendo uso de tecnologia. Mas já existem estudos dentro do USDA para implantar experimentos com controle biológico. Cientistas acham que o projeto terá mais espaço no governo de Obama.



ANTIBIÓTICOS
A Rússia anunciou esta semana a suspensão das importações de carnes de duas empresas do Sul: uma de frango e outra de carne suína. Os russos alegaram excesso de antibiótico no produto. Houve sigilo quanto ao nome das empresas e o Ministério da Agricultura do Brasil não havia se pronunciado até quainta-feira. Sempre é bom ter cuidado com a carne de frango.



O CICLO DA PECUÁRIA (FOTO carne no gancho)
Os abates inspecionados de bovinos recuaram para 21,7 milhões de cabeças em 2008, 14% menos do que em 2007. Os dados de 2008 podem sofrer alterações, diz o Ministério da Agricultura. A queda foi provocada pelo excesso de abate de fêmeas de 2005 a 2007, quando os preços estavam baixos. Além da oferta menor de animais, o setor passou por redução das exportações e menor demanda interna nos últimos meses de 2008, devido aos efeitos da crise financeira.



PREÇO DA FARINHA
Dois efeitos da queda da produção de trigo na Argentina, estimada em 9,5 milhões de t na safra 2008/09. 1) Beneficia levemente a produção brasileira 2) não deve refletir nos preços das massas ao consumidor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), que divulgou nota sobre o tema esta semana. Se confirmada, a produção de trigo projetada pelo USDA para a Argentina será 42% menor do que na safra 2007/08.

(Folhapress com Reportagem Local)

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