Fertilizante biológico para o milho
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Sid Sauer<br> De Campo Mourão 
A novidade vem da Argentina e foi apresentada pela primeira vez no Paraná, esta semana, em reuniões realizadas em Campo Mourão e Ubiratã. Trata-se do Graminante, um produto que, segundo a indústria fabricante, o laboratório Alquimia, já apresentou bons resultados na Argentina. No Brasil, em experimentos feitos no Rio Grande do Sul, os resultados também foram considerados bons.
O custo é baixo e a produtividade chega a aumentar em até 25%, diz a agrônoma Myriam Violeta Cami Montardit. Ela representa na região a Azotec Comércio, Importação e Exportação, empresa que tem o direito de comercialização do produto no Brasil. O lançamento foi feito em Campo Mourão pelo agrônomo José Alberto Velloso, que fez mestrado e doutorado na Espanha. É um produto de alta tecnologia e totalmente inédito no Brasil, assegura Myriam.
Pesquisa brasileira Apesar de estar vindo da Argentina, onde já é comercializado há cerca de cinco anos, o produto é uma criação brasileira, resultado de mais de 20 anos de pesquisa da doutora Joana Dobereiner, uma alemã naturalizada que trabalha na Embrapa, no Rio de Janeiro. O inoculante, garantem os representantes, atua fertilizando a semente do milho de qualquer tipo, variedade ou forma de plantio e chega a dar um retorno superior a 10 vezes o valor aplicado.
Uma das principais vantagem do inoculante do milho é que, diferentemente dos fertilizantes biológicos da soja, ele é aplicado a seco. Isto permite que a semente, depois de inoculada, ainda possa esperar até 30 dias para o plantio, contra apenas 24 horas dos inoculantes da soja. Isto significa que o produtor não precisa se preocupar se chover ou se o trator quebrar no dia da inoculação, frisa Myriam. O produto também pode ser aplicado junto com inseticidas e fungicidas.
A única exigência para a aplicação é que a semente seja mantida seca. O custo na aplicação, feita diretamente na semente, é quase zero, garantindo um aumento de massa verde de até 15%. Os experimentos feitos no Rio Grande do Sul mostraram que, enquanto o milho comum apresentava uma produtividade de 6,46 toneladas por hectare, a semente com o inoculante chegou a 8,12 toneladas por hectare. Junto com a uréia, a produção foi ainda melhor e saltou para 10,19 toneladas por hectare.
Como funciona Com a germinação da semente, começa a multiplicação da Azospirillun, uma bactéria que atua segregando substâncias hormonais que produzem um maior crescimento da massa radicular (favorecendo os nutrientes do solo). As bactérias de Azospirillun se desenvolvem na periferia das raízes e logo penetram através das raízes primárias, obtendo energia para o seu desenvolvimento, captando o nitrogênio do ar (não aproveitável pelos vegetais superiores) e o transformando em amonical, utilizado pela planta para a síntese protéica.


