Ferrugem e percevejo ainda preocupam produtores
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terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Victor Lopes/Reportagem Local 

Controle da ferrugem asiática e percevejos, estratégias para a conservação de solos e tecnologias para monitoramento das lavouras de forma remota foram alguns dos assuntos de maior destaque entre empresas do agronegócio e produtores que participaram Superagro 2018. O evento de difusão e tecnologia promovido pela Agro100 reuniu em torno de cinco mil produtores numa área de 24 hectares na Estrada da Cegonha, em Londrina.
Sessenta empresas do setor apresentaram um leque enorme de produtos e serviços e coube aos visitantes analisarem a melhor estratégia para cada propriedade, inclusive ainda pensando na safra verão 2017/18, que tem o manejo dificultado devido às chuvas constantes na região. "No evento percebemos que voltou uma preocupação com a ferrugem e controle de doenças no final do ciclo. O produtor precisa buscar um pacote tecnológico e que esteja associado à sua rentabilidade. Aqui ele encontrou oportunidade para travar o custo de produção na moeda dele (a produção). A comercialização final deve fechar em um milhão de sacas de soja", explica o diretor da Agro100, Carlos Gajardoni.
De fato, muitas empresas estão atentas de como a ferrugem avança nestas condições climáticas. O gerente de marketing da Basf, Eduardo Santos, não tem dúvidas que o produtor ainda está no momento de decisão para a safra de verão e procurando soluções. "Há cerca de um mês, dada a essas condições climáticas, ele está com dificuldades de entrar na lavoura e fazer o uso adequado dos fungicidas. Portanto, quando chega o momento ideal para isso, ele quer uma ferramenta eficiente. Estamos trabalhando com quatro fungicidas, sendo dois deles com base de carboxamidas, moléculas mais novas para esse combate."
Já a Bayern relata uma preocupação com os percevejos, que geralmente o produtor acaba percebendo apenas na hora da colheita, quando os prejuízos já aconteceram. O interessante é que a empresa aposta numa tecnologia, digamos, já consagrada (mas muitas vezes esquecida) para resolver o problema com o inseto de forma mais eficaz. "Estamos oferecendo um serviço que uma equipe nossa vai a campo e faz a batida de pano, uma metodologia antiga da Embrapa que muitas vezes o produtor não faz por ter outras prioridades. Fazemos a batida uma vez por semana e ele recebe pelo celular onde estão os focos e faz a aplicação dos defensivos apenas nos locais específicos. É uma forma de adentrar no manejo integrado de pragas. Começamos no ano passado com 60 mil hectares no MS, agora já são 300 mil ha por todo o Brasil."
PRODUTORES
Dagoberto Ludwig é produtor de grãos em Sertaneja, numa área de 10 mil hectares. Ele explica que sempre frequenta dias de campo para buscar novas tecnologias. Para a ferrugem, na soja que está no campo Ludwig já aplicou fungicida duas vezes, mas está bem controlada. "O percevejo está dando mais trabalho, porque a gente aplica e vem a chuva e 'lava' o veneno. Mesmo assim, estou com uma expectativa boa, de fechar a produtividade em 60 sacas por hectare. Só espero que não chova na colheita."
Já Alexandre Garcia, que possui uma área de 48,4 hectares em Cambé também está preocupado com a dificuldade de entrar na lavoura para aplicar os defensivos. "Até agora fiz apenas uma aplicação de um fungicida da Basf para controle da ferrugem e está tudo bem. Até aqui, a preocupação fica para que o sol venha na colheita."


