O Estado do Paraná viveu durante essa safra uma situação climática extremamente favorável ao desenvolvimento da ferrugem e, pela primeira vez, os produtores observaram de perto os impactos que a doença pode ocasionar. Segundo análise de especialistas da Embrapa Soja, houve atreaso na aplicação de defensicos quando apareceram os primeiros sintomas, em janeiro.
''O que se viu em seguida foi o início de um período chuvoso, extremamente favorável à evolução da doença, condição que perdurou até o final de fevereiro. Como a doença já estava instalada, a eficiência dos produtos ficou comprometida'', avalia a pesquisadora Cláudia Godoy.
Essa situação foi bem característica nas regiões Norte e Centro Sul do Estado, onde a doença configurou-se como uma epidemia, ou seja, de ocorrência generalizada e alta agressividade. ''Os níveis de dano ainda não podem ser estimados, mas houve um aumento do custo de produção e relatos de produtores que tiveram que fazer até três aplicações para o controle da doença'', observa Cláudia.
As lavouras que estavam em fase de florescimento ou enchimento de grãos durante o mês de fevereiro foram as mais atingidas pela ferrugem devido às condições climáticas favoráveis. Lavouras com cultivares precoces ou plantios realizados mais cedo não apresentaram uma alta severidade da doença, porque quando o clima foi mais favorável à doença, as lavouras estavam próximas a colheita. No entanto, a soja precoce teve sua produção prejudica pelo veranico de janeiro.
Segundo o engenheiro agrômomo Enoir Pellizzaro, da cooperativa C.Vale, na região Oeste do Estado também foi observado um número significativo de focos. O nível de severidade, porém, foi baixo, principalmente em função da seca e da pronta intervenção por parte dos produtores com a aplicação de fungicidas. ''Temos percebido que a doença vem progredindo significativamente ano a ano e que, sem dúvida, nesta safra foi muito maior o número de ocorrências e a severidade de infecção'', avalia Pellizzaro.
Para os agricultores que enfrentaram dificuldades no diagnóstico da ferrugem, a pesquisadora da Embrapa orienta: ''a primeira aplicação de fungicida é a mais importante e deve ser feita quando surgem os primeiros sintomas ou quando a doença já está presente na região''. Para saber o momento certo, ensina, há uma única regra, o monitoramento intenso da lavoura, com o auxílio da lupa de aumento, em busca dos minúsculos pontos de ferrugem.

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