O clima mais seco e a atenção dos produtores fez com que a ferrugem asiática não atingisse patamares preocupantes durante a safra 2014/15 de soja. Apesar do número de ocorrências ter sido razoavelmente grande no Estado, não foram confirmados focos preocupantes da doença. De acordo com o levantamento do Consórcio Antiferrugem – uma parceria público-privada que combate a doença – no Paraná foram confirmadas 84 ocorrências até fevereiro. Na safra passada, foram 75 casos relatados no mesmo período.

A pesquisadora da área de fitopatologia da Embrapa Soja, Claudine Seixas, explica que é preciso analisar os números divulgados com algumas ressalvas, já que as ocorrências oscilam de acordo com "ânimo dos parceiros do projeto em alimentar o site". "O mais importante para o produtor tomar uma decisão (de aplicação) são os primeiros focos relatados. Geralmente, quando mais cedo a ferrugem chega, mais problemas ela causa. Agricultores e técnicos hoje já são bem preparados para identificar e fazer a aplicação do fungicida no momento correto".

Para a safra 2014/15, a pesquisadora relata que o Estado passou por períodos de estiagem e chuvas irregulares, condições desfavoráveis para a disseminação da doença. "Tivemos ocorrências em todas as regiões do Paraná, mas não temos relatos de situações críticas. E mesmo os focos relatados no Consórcio, a grande maioria aconteceu na fase reprodutiva da soja. O mais preocupante seria se tivessem ocorrido no desenvolvimento da cultura", comenta Claudine.

A pesquisadora valoriza a contribuição do programa Plante Seu Futuro, com as armadilhas para coleta de esporos instaladas e monitoradas pela equipe do Instituto Emater, como uma ferramenta bem importante para a tomada de decisão. "A armadilhas contribuem para que a decisão de aplicação seja tomada com base em um critério técnico. Nós costumados dizer que o que deve ser evitado é aquela aplicação calendarizada. O ideal é observar o clima, acompanhar o site do Consórcio se há relatos de ferrugem na região, enfim, critérios técnicos".

Mesmo ainda sem fechar a safra atual, a pesquisadora acredita que o número de focos está bem mais controlado em comparativo a safra 2013/14. "Aparentemente, pensando em ferrugem, foi um pouco mais tranquilo. Tivemos chuvas de um período para cá, já pegando as lavouras bem adiantadas. A perspectiva é que mesmo com essas chuvas, dependendo da fase que tiver a cultura, as chances de perdas não são grandes", finaliza ela. (V.L.)

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