A safra 2004/2005 deverá ter um perfil diferente este ano. A ferrugem da soja poderá atrapalhar as férias de muitos agricultores e técnicos. Diferente de outros anos não vai dar para plantar e ir para a praia, advertem pesquisadores e técnicos, numa referência a um costume comum entre os produtores que iniciam o plantio em outubro/novembro e aproveitam o mês de janeiro para tirar merecidas férias antes da colheita, a partir de março.
O produtor Odair Favali, de Cambé, ainda não mudou seus planos de férias com a família - deveria sair em janeiro por uma semana ou 10 dias -, mas afirma que só sai de viagem depois de se certificar de que tudo está bem. Diferentemente da safra passada ele acredita que os agricultores estão mais preparados para conviver com a ferrugem se ela aparecer.
Com 75% de sua área plantada - são 1.500 hectares de soja -, Favali optou este ano por variedades mais precoces como forma de driblar um possível aparecimento da ferrugem. ''Quanto mais cedo a gente planta, menor deve ser o perigo,'' acredita o produtor, que a cada dois dias, costuma vistoriar a lavoura, seguindo a recomendação dos técnicos, para monitoramento da soja.
O agricultor João Agnaldo Tomeleri, também de Cambé, foi outro que apostou no plantio precoce para evitar maiores problemas com a ferrugem nesta safra. Ele quer evitar duas pulverizações nos 300 alqueires que cultiva. ''Uma é certeza que terei que fazer.''
Depois do susto da ferrugem no ano passado Tomeleri conta que nem pôde sair de férias com a família. ''Tive que cancelar meus planos.'' O mesmo deve acontecer este ano. ''É difícil deixar alguém cuidando já que pouca gente ainda conhece a doença.''
Tomeleri conta que depois da florada da soja, o que acontece em média a partir do dia 15 de dezembro, pouca gente deverá sair de férias. ''O clima tem dado sinais de favorecimento à ferrugem e temos que ficar alerta,'' afirma o agricultor, que já planeja fazer uma aplicação preventiva para controle do fungo da ferrugem. Segundo ele, não só os agricultores terão suas férias prejudicadas. Por conta dos prejuízos no ano passado, também a assistência técnica deverá ficar em alerta nesta safra.
Segundo a pesquisa, as condições climáticas no período da safra de verão podem ser determinantes para o aparecimento e a disseminação da ferrugem asiática, que se dá pelo vento. Chuvas diárias e umidade, mais uma temperatura amena de noite e orvalho nas plantas, são propícias para o desenvolvimento do fungo que causa a doença, prejudicando o desenvolvimento da planta e afetando a produtividade, diz o agrônomo Nelson Harger, da Emater de Apucarana.
O maior risco é quando essas condições climáticas ocorrem no período de pós-florescimento e enchimento de grãos, numa média de 45 a 60 dias após o plantio. Foi o que aconteceu com o produtor Moisés Wasciki, de Cambé. Na safra passada, como não conhecia direito a ferrugem, ele atrasou na aplicação de fungicida para controle e amargou prejuízo de 5% na sua área de dois alqueires de soja. Neste ano, mais atento, promete vistoriar a lavoura diariamente. A recomendação técnica é para que os agricultores vistoriem as áreas pelo menos duas vezes por semana. ''Não vale só olhar do carro,'' adverte o agrônomo Alcides Bodnar, da Emater de Cambé.
Já Odair Favali teve que fazer duas aplicações na safra passada e conseguiu evitar o prejuízo. Este ano, garante que vai fazer um controle preventivo e ficar de olho no que acontece na região. Favali calcula que 10% do seu custo na safra de verão será gasto com o controle da ferrugem. Com os atuais preços da soja e aumento nos custos com fungicidas ele sabe que ''é melhor prevenir do que remediar.'' Calcula que este ano terá que gastar R$ 130 reais por hectare para controle da doença.
Outro que garante que estará mais alerta este ano é o produtor Leonildo Saraiva de Lima, também de Cambé, que planta 17 alqueires de soja. A família não pretende viajar no final de ano. ''Se descuidar o bicho pega,'' brinca referindo-se ao fungo que causa a ferrugem. Lima, que fez duas aplicações na safra passada e elevou custos reduzindo lucro garante que este ano vai ''dobrar o cuidado.''

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