A tecnologia Bt, recém incorporada à cultura da soja, deve ser bem conduzida para que não seja criado algum tipo de resistência, segundo afirma a entomologista da Fundação MT, Lucia Vivan, que esteve em Londrina nessa semana para participar de um evento promovido pela Embrapa Soja sobre pragas e doenças. Segundo a pesquisadora, a tecnologia proporciona uma supressão sobre a praga, mas não a elimina por completo.
A adoção de áreas de refúgio e a destruição das plantas no período de entressafra são ações que ajudam a combater a Helicoverpa armigera. Ela destaca que para eliminar a lagarta é necessário combinar várias frentes de trabalho, como o uso de defensivos indicados, manejo adequado, entre outros. No caso do controle químico, Lucia alerta que a ação só é eficaz quando a infestação está em fase inicial.
Ronaldo Yugo, gerente estratégico de marketing para soja da Bayer CropSciense, salienta que a empresa está buscando ferramentas eficientes para combater a lagarta. "Ninguém esperava a explosão dessa lagarta", lamenta Yugo. Segundo ele, a dinâmica das pragas está mudando no Brasil.
Além dos produtos oferecidos aos seus clientes, a Bayer ajuda os agricultores a fazer o respectivo monitoramento das lavouras. Yugo completa que a empresa tem feito armadilhas de armazenamento para poder entender melhor a praga, além realizar a contagem de mariposas para mensurar os índices de infestação em uma determinada área.

Armadilhas de feromônios
Segundo dados da Embrapa, o uso da isca de feromônio é a técnica de monitoramento mais indicada para verificar o índice de infestação de uma área com a Helicoverpa armigera. Contudo, os especialistas da entidade alertam que é de extrema importância o registro emergencial desses feromônios.
Os especialistas da instituição indicam a utilização de uma armadilha a cada cinco hectares. A captura das primeiras mariposas, em média três animais por armadilha, já indica o início da oviposição e a necessidade de liberar o agente de controle biológico. Neste caso, a Embrapa indica o uso de parasitoides.
O Ministério da Agricultura revela que, até o momento, não foram identificados em campo inimigos naturais para a praga. Contudo, segundo a literatura mundial, existem predadores associados a outras espécies do gênero Helicoverpa que ajudam a controlar essa nova praga. (R.M.)

mockup