Ferramentas da produção de carne
O pecuarista tem hoje à sua disposição duas ferramentas essenciais para o melhoramento animal do rebanho: seleção e cruzamento. Exceto as novas técnicas da biotecnologia, que não estão disponíveis ainda para a grande parte dos produtores, como auxiliares no melhoramento animal, como a transferência e bipartição de embriões, transferiência de genes e outros, fazer a seleção e o cruzamento entre raças pode melhorar muito a produtividade do rebanho.
Seleção e cruzamentos hoje fazem a diferença na pecuária, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Kepler Euclydes Filho. A seleção de animais começa, segundo ele, com a tomada de informações, feita com precisão para o conhecimento dos melhores animais, dos pais desses animais, da herdabilidade. Depois da informação sobre os animais, o criador terá que saber, exatamente, qual o objetivo do seu trabalho; que mercado irá atender, que tipo de carne produzir.
Objetivos bem definidosKeppler esteve em Londrina, na última quarta-feira, dia 10, para fazer palestra sobre Melhoramento Animal, durante o 1º Encontro Nacional da Raça Limousin, programação paralela da 13ª Conferência Mundial da Raça, que aconteceu no Parque Ney Braga.
O sucesso da atividade, afirma o pesquisador, está ligado e depende do pecuarista ter os objetivos de produção bem definidos, até mesmo antes de iniciar o trabalho de seleção de animais. Como as informações dependem de análises, de metodologias modernas, disponíveis para diferenciar ou determinar o potencial genético, o pecuarista terá que se atualizar sempre.
Hoje, segundo o pesquisador, um dos modelos de análise mais usado para a pecuária é chamado DEP (Diferença Esperada de Progênie), que identifica as características melhoradoras que os pais, os touros, conseguem imprimir nos seus filhos. Com o método é possível identificar as características melhoradoras de cada touro a ser usado como reprodutor e sua capacidade de transmitir as boas características aos filhos.
Informações sobre os animais na mão, é hora do produtor escolher os melhores indivíduos (animais), para os cruzamentos no seu plantel. Atualmente os cruzamentos têm mais do que a finalidade de aproveitar a chamada heterose e se beneficiar do choque de sangues entre animais indianos e europeus. Além do vigor híbrido, os cruzamentos podem ser programados para se ter maior índice de precocidade e fertilidade nas crias provenientes, combinando bem as características dos pais desses futuros animais.
Bem adaptadosOutra preocupação na seleção dos animais, avalia o pesquisador, deverá ser com a interação genótipo-ambiente; na escolha dos animais certos para clima e condições de alimentação onde serão colocados. Vacas holandesas, por exemplo, grandes produtoras de leite no Canadá, Estados Unidos e Israel, quando trazidas para as condições pobres dos pastos brasileiros, expostas a ataque de parasitas e calor, não apresentarão o mesmo potencial. Conforme as condições de interação com o ambiente podem ser boas produtoras de leite, mas não em qualquer situação.
Animais europeus trazidos para o Brasil, para a produção de carne, também são um exemplo. O europeu puro sofre o estresse e não consegue atingir seu potencial de produção. Quando combinados nos cruzamentos, esses animais mostram seu potencial. Escolher qual raça combinar é importante para o sucesso da produção.
Capricho na seleçãoO cruzamento tem que ser feito com a mesma perspectiva com que se faz seleção de animais. Se o programa é contínuo, o produtor pode fazer a seleção dentro dos indivíduos provenientes do próprio cruzamento. Seleção e cruzamento devem coexistir; não se pode pegar os piores animais para fazer o cruzamento, como é feito hoje em dia, e depois pensar só em seleção para peso.
O produtor deve ter a definição de seleção e cruzamento bem pensados e definidos. Há necessidade de usar os melhores animais, mão-de-obra especializada no manejo da técnica e intensificar a administração da tecnologia.
Hoje, no Brasil, constata-se a preocuçação com precocidade e ganho de peso para vender carne. Mas, segundo Kepler, numa visão moderna de pecuária e produção, estas duas preocupações deixam de ser as prioridades. Há também peso para a seleção da parte reprodutiva dos rebanhos e de animais que proporcionem bom acabamento de carcaça, atendendo um mercado que pede qualidade. E a qualidade quer dizer carne macia e livre de resíduos.
Na produção de uma carne macia contam, além da seleção, cruzamento e redução na idade de abate, o bom manejo dos animais e a nutrição. A grande preocupação tem sido também a de produzir uma carne o mais natural possível, sem resíduos. Sem esquecer da boa adaptação e resistência dos europeus. Por isso os animais devem ser resistentes ao ataque de parasitas, por exemplo. Quanto menos usar produtos químicos para controle de parasitas, melhor.Arquivo FolhaTrabalhoSeleção dos melhores animais pode ser feita através da análise e desempenho de produção das criasCláudia Barberato





