Ferramenta para rebanhos
A adoção de sistemas que registrem como é feita a produção de carne pode ser benéfica para pecuaristas que trabalham com genética e melhoramento animal
Na coleta de dados, Maria Lúcia usa equipamentos para identificar (no detalhe) e rastrear rebanho. Forma de gerenciar melhor e valorizar genética animal
A rastreabilidade que está sendo exigida pelo mercado externo para comprar a carne brasileira pode ser adotada para venda de genética, o primeiro passo para a produção de carne. Sem genética não há como fazer o rebanho comercial destinado ao fornecimento de carne ao mercado. Atender às exigências externas pode significar também melhorar a qualidade do mercado interno e atender uma linha de consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade do alimento que consomem.
A dúvida será se essa carne de melhor qualidade, um dos benefícios do rastreamento, estará disponível ao poder aquisitivo da população.
Pecuaristas terão que fazer investimentos para adotar o sistema de rastreabilidade e, consequemente, terão que receber mais pelo produto diferenciado. Para a exportação a expectativa é conseguir essa melhor remuneração, mas há dúvidas se isso seria possível no mercado interno.
Técnicos do setor de produção animal acreditam que os investimentos para a rastreabilidade deverão seguir devagar, ou seja, cada pecuarista deverá adotar um tipo de controle do seu rebanho que seja possível para seu bolso. Há diversos tipos de instrumentos para controlar todos os dados. O primeiro deles pode ser lápis e papel, coisa que poucos pecuaristas adotam, para ter controle de tudo que se passa na fazenda. A consciência de um bom gerenciamento, acreditam os técnicos, deverá levar a uma adesão progressiva do rastreamento da produção.
Os pecuaristas que têm maior poder aquisitivo podem optar por brincos, que exigem um investimento maior; ou usar os chips eletrônicos, que demandam ainda mais dinheiro. A verdade é que cada um deve adotar o rastreamento dentro da sua realidade e essa adoção pode começar devagar e ir evoluindo conforme os resultados forem aparecendo.
A rastreabilidade não pode ser adotada apenas como uma exigência do importador, mas deve ser encarada como uma ferramenta que vai melhorar todo o gerenciamento da produção e isso se revertará em otimização de custos dentro das propriedades. O processo poderá beneficiar todos os envolvidos na cadeia produtiva.
Mas nem todos os envolvidos na cadeia produtiva de carnes concordam que o Brasil está pronto para começar a implantar a rastreabilidade. Para o professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (SP) Pedro Eduardo de Felício, a rastreabilidade ainda está longe de ser uma realidade. Segundo Felício o Brasil não tem ainda nem um sistema eficiente de inspeção sanitária e apenas 47% da carne abatida no Centro Sul é inspecionada.





