A pecuária evoluiu exponencialmente no Brasil na última década e hoje já é possível afirmar que existe, em média, um bovino para cada brasileiro. Com a profissionalização do setor, cresceu também a comercialização de animais em leilões. Só no ano passado, o faturamento das vendas em recinto e virtuais girou em torno de R$ 620 milhões, um aumento de mais de 1000% em relação aos valores registrados em 1995, que somaram cerca de R$ 43 milhões.
Por ser uma ferramenta dinâmica, que reúne um grande número de compradores e animais num mesmo local e por um curto espaço de tempo, o leilão agrega valor ao comércio de gado, garantindo vendas que nem sempre seriam efetivadas nas fazendas. ‘‘O leilão é uma forma mais justa e equilibrada de negociação entre criador e comprador’’, aponta o diretor da Programa Leilões, Paulo Horto.
Entretanto, ainda hoje cerca de 60% das vendas de animais no País ocorrem em propriedades particulares, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, na Argentina e em países da Europa, onde o número de remates em recintos já superou em até 90% as vendas nas fazendas, inclusive de boi gordo.
‘‘As leiloeiras ainda têm dificuldade em reunir informações precisas sobre o número de leilões feitos durante o ano, pois ocorrem mudanças diárias nas agendas. Mas o setor tem apontado crescimento tanto no número de eventos quanto no percentual de venda, o que mostra que a mentalidade do criador está mudando’’, explica Elton Baccarin, diretor da leiloeira Rural Business.
Ele afirma que a confiança no sistema tem atraído cada vez mais os pecuaristas de todos os segmentos, principalmente o de bovinos, que lidera o mercado de leilões. Baccarin também acredita que em poucos anos, a venda em leilões deverá superar o comércio de animais em fazendas. ‘
A lei da oferta e da procura é o que determina a valorização de um animal em leilão. Segundo Paulo Horto, a realidade do mercado tem demonstrado que os animais seletivos têm obtido melhores preços que o gado de engorda. ‘‘O rebanho nacional de engorda cresceu, mas o valor dos animais não acompanhou esse crescimento. Já com o gado seletivo ocorreu o contrário. Os investimentos maciços em melhoramento genético impulsionaram os preços dos animais registrados’’, analisa Horto.
Para Baccarin, as diferenças de preço alcançadas pelas raças zebuínas e européias nos leilões parecem gritantes, mas, na verdade, são exceções do mercado. ‘‘O comprador só continua a dar lances pelo animal até o momento em que ele considerar o preço como sendo justo. Se o valor extrapolar, ele desiste’’, declara.

mockup