Feitos para conquistar o Mercosul
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sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Silvana Leão 
DivulgaçãoCara novaA linha TL traz para o campo tendências da indústria automobilística, como o formato arredondado da cabineA partir deste mês uma moderna linha de tratores de porte médio, desenvolvida para atender as mais diferentes utilizações, estará sendo fabricada em Curitiba pela New Holland Latino Americana. Lançadas na semana passada em Buenos Aires, as novas máquinas trazem características até então disponíveis apenas em equipamentos de maior potência e serão comercializadas no mundo todo, mas visam, acima de tudo, atender às necessidades dos produtores do Mercosul.
A linha TL, formada por tratores de 65 a 100 cavalos (cv), estará disponível em cinco modelos básicos. O mais simples deles custará ao produtor rural R$23 mil. O preço, porém, variará de acordo com as opções feitas no momento da compra. As alternativas são várias, e pretendem atender as diversas necessidades agrícolas.
Só no que diz respeito à transmissão, por exemplo, existem quatro tipos disponíveis: Sincro Command, para aplicações gerais; Shutle Command, para manobras constantes e reversões frente-ré, como em carregamentos; Dual Command, para trabalhos de preparo do solo e plantio (principalmente plantio direto); e Sincro Command Creeper, transmissão especialmente desenvolvida para trabalhos de baixa velocidade, como os que são feitos em pomares.
Conforto de carroQuanto aos eixos, todos os modelos da linha foram projetados para serem 4 x 4, com versão 4 x 2 opcional. Se o agricultor optar pela tração dianteira no momento da operação, pode acioná-la sem precisar parar o trator, graças ao sistema de acionamento eletrohidráulico. O conforto do operador também não foi esquecido, e a plataforma integral - com acesso pelos dois lados - foi projetada ergonomicamente para proporcionar comodidade total, com assento ajustável e comandos localizados à direita do motorista para facilitar o trabalho, entre outros itens.
Com design de formas arredondadas, que lembram os automóveis atuais, os novos tratores ainda podem transitar tranquilamente pelas rodovias, cumprindo o papel extra de transportador da safra até as cooperativas. Eles possuem um sistema elétrico com luzes de posição, sinalizadores de direção e um completo sistema de luzes de serviço.
A linha TL foi concebida depois de três anos de pesquisa e um investimento de US$80 milhões, justificados pela intenção dos fabricantes de conquistar o Mercosul e fazer crescer a porcentagem de venda nestes países, que hoje representam apenas 8% do faturamento total da empresa. A New Holland espera vender 50 mil tratores por ano até o ano 2000.
ProduçãoSegundo o vice-presidente da multinacional para a América Latina, Valentino Rizzioli, o parque instalado em Curitiba deverá produzir, a princípio, 10 mil tratores/ano, incluindo os 14 modelos já existentes da linha Série 30 Superforça. A capacidade da fábrica, porém, é de até 30 mil tratores/ano. O volume de produção vai depender da demanda, explicou Rizzioli durante entrevista coletiva no lançamento do produto.
Ao lado do vice-presidente executivo, Tom Kennedy, e de alguns diretores, Rizzioli revelou que a empresa, que faturou US$ 5,5 bilhões em 96, está apostando alto no seu crescimento no Mercosul. Os países que fazem parte deste mercado respondem atualmente por uma área cultivada de 600 milhões de hectares, e são o segundo produtor mundial de grãos, com 30% de toda a produção de soja. Trata-se, portanto, do grande futuro agrícola do mundo, afirmou.
Rizzioli também disse que, apesar de possuir um dos melhores ambientes naturais para a agricultura, pois a maioria das regiões possui solo altamente fértil (onde não é, a tecnologia o transforma), a América Latina ainda carece de produtos para mecanização agrícola tecnicamente avançados. Além disso, o número médio de máquinas no campo, comparado ao dos países desenvolvidos, é muito baixo. No Brasil existe um trator para cada lote de 104 hectares (ha), enquanto na Argentina a proporção é de um trator para cada 49 ha, nos Estados Unidos um trator para cada 30 ha e na Europa um para cada 12 ha.
Em relação a linhas de crédito para aquisição dos tratores que serão fabricados em Curitiba, Valentino Rizzioli explicou que, por não se tratarem de bens de consumo (como os automóveis, por exemplo), não terão financiamentos por parte das indústrias. A capacidade de compra do produtor depende da sua capacidade de produção, resumiu.


