Em 154 pontos instalados pela prefeitura são trocados os alimentos fornecidos ao Feira Verde por 120 produtores cadastrados
Em 154 pontos instalados pela prefeitura são trocados os alimentos fornecidos ao Feira Verde por 120 produtores cadastrados | Foto: Divulgação



Como a agricultura familiar e produção de alimentos podem estar ligadas à reciclagem, meio ambiente e sustentabilidade de um município? Com uma sacada incrível, a prefeitura de Ponta Grossa conseguiu interligar todos esses assuntos e transformou a vida da população, de pequenos produtores rurais e ainda trabalhadores que atuam no segmento da coleta de lixo de recicláveis. Não por acaso, a ideia está na final do Prêmio MuniCiência.

Um projeto simples e muito eficiente. Desde 2007 na cidade, o Programa Feira Verde propõe que a população de menor poder aquisitivo troque materiais recicláveis por alimentos hortifrutigranjeiros, de forma direta, em diversos pontos da cidade. Com isso, a população ganha com uma alimentação mais saudável, o pequeno agricultor escoa sua produção, garante renda e permanece no campo, e ainda as ações fortalecem uma cidade mais limpa, resolvendo o passivo ambiental e fomentando as famílias ligadas diretamente às associações de recicláveis da cidade.

Os números, de fato, impressionam. Em apenas dois meses de 2018 (fevereiro e março), já são 141,3 toneladas de hortifrutigranjeiros que foram trocados por 508 toneladas de recicláveis que poderiam estar jogados pelos vales da cidade. São aproximadamente 38,9 mil famílias alimentadas pelo programa e 12,9 mil famílias que estão faturando com o lixo reciclado.

No total são 120 produtores cadastrados e ativos no Feira Verde, que vendem um mix de 22 produtos para a Prefeitura. Pela cidade, são seis caminhões, divididos em três equipes, que se alternam em 154 pontos de troca de alimentos por reciclados e que retornam nesses locais a cada 15 dias. "Nos contratos dos produtores, eles precisam obedecer critérios técnicos, são fiscalizados e os produtos selecionados", explica o secretário Ivonei Afonso Vieira.

Antes, para fazer a troca por um quilo de alimento, eram necessários três quilos de lixo reciclável. Agora, são quatro quilos para um de hortifrutigranjeiro, uma mudança que a população já está absorvendo. "Também estamos numa fase de teste para a coleta de pneus usados. A família troca quatro pneus, independentemente do tamanho, por um quilo de alimento."

A produtora Juliana Justos Olegário trabalha com a família – pai, mãe e dois irmãos – numa área de cinco alqueires na zona rural de Ponta Grossa. Eles plantam basicamente olerícolas diversas e o Programa Feira Verde foi fundamental para o aumento da produção e segurança nas vendas.

Ele explica que a mãe ingressou no Programa primeiramente, em 2010. Depois, com algumas alterações, mais pessoas da família puderam participar. "O Feira Verde foi super importante, porque antes dele não conseguíamos produzir e comercializar em grandes volumes", explica.

Em 2017, por exemplo, somando toda a família, a entrega ultrapassou dez toneladas. Ela relata que no início os valores pagos pela prefeitura não eram tão atrativos, mas depois se tornaram melhores que os efetuados por mercados comuns. "Na minha opinião, hoje eles pagam bem. Dependendo da semana, da demanda e da produção de outros agricultores, chegamos a levar nossa mercadoria três vezes para o local de recebimento. E temos que entregar um produto de qualidade."

Para que essa qualidade seja atendida, a prefeitura conta com um responsável que dá assistência técnica ao produtor, além dos técnicos da Emater. "De forma geral fazemos por nossa conta aqui na propriedade, já temos uma experiência com as culturas. Se temos alguma dúvida, entramos em contato com a Emater", complementa Juliana. (V.L.)

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