Feira reflete falta de bezerros
Vânia Casado
De Curitiba
O criador Ugo Rodacki, presidente da Federação Paranaense das Associações de Criadores (Fepac), diz que as associações de criadores de bovinos se concentraram na realização de leilões de animais de elite, como matrizes e reprodutores, para incentivar a criação de bezerros e bezerras. A Feira do Paraná termina amanhã, 17, mas os negócios entre os criadores devem continuar.
Rodacki salienta que o mesmo processo da falta de novilhos está ocorrendo com os búfalos. Ele lembra que a tradicional venda de bezerros e bezerras de búfalos que eram realizados todos os anos durante a Feira do Paraná, deu lugar a um leilão de animais de elite com a participação de 25 a 30 animais. Ele espera que os criadores saiam da cômoda situação de terminadores e passem a criar vacas, para ficarem com os novilhos como reserva. Segundo Rodacki, o criador tem que rever essa posição de evitar as dificuldades na criação de fêmeas, sob pena de ficar sem bezerros no mercado, como deverá se acentuar nos próximos meses.
ComercializaçãoA Feira do Paraná deve comercializar este ano, nos leilões, em torno de R$300 mil, um resultado ligeiramente superior ao faturamento do ano passado. O acréscimo na conta foi atribuído à reintrodução da raça charolesa, que teve um leilão de elite ontem. Nos últimos anos, os criadores da raça cancelaram os leilões de animais na exposição e agora decidiram apostar tudo na realização da Feira do Paraná. Lotaram um pavilhão inteiro, com capacidade para 90 argolas, só com animais top de linha, observa Rodacki.
Durante o primeiro turno da exposição, até terça-feira, 12, foram realizados dois leilões de equinos appaloosa e mangalarga. O leilão de appaloosa vendeu 26 animais, por R$70.320. O animal mais valorizado foi um macho vendido por R$5.280,00. A média de venda dos machos ficou em R$2.759,00 e das fêmeas, em r$2.590,00. O leilão de cavalos mangalarga rendeu R$12.180,00, com a venda de 11 animais que sairam pelo preço médio de R$1.680,00.
A maior parte dos 11 leilões está programada para este final de semana. A concentração ocorreu a pedido dos criadores que preferem fazer uma avaliação do mercado, antes da venda, explicau Rodacki.
Os criadores de caracu também estavam animados com o interesse manifestado pelos pecuaristas durante a Feira do Paraná. A raça vem ganhando destaque com as pesquisas feitas pelo Instituto Agronômico do Paraná, na estação de Ponta Grossa. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu, Lício Isfer, está entusiasmado com a possibilidade de exportar sêmen e embriões dessa raça para países da América do Sul, América Central e África, que têm as mesmas características de clima e tecnológicas semelhantes às do Brasil.
Novilha mais caraA novilha mais cara da raça limousin, e provavelmente da pecuária brasileira, esteve em exposição na Feira do Paraná. A novilha Ursula foi adquirida da Fazenda Reunidas Boi Gordo, de Itapetininga, SP, por R$210 mil por um consórcio de cinco criadores, sendo quatro paranaenses e um gaúcho. Ursula, com 10 meses e pesando 430 quilos, virou estrela das exposições onde se apresenta, pelas características da raça, como profundidade de carcaça, que proporciona maior rendimento de carne.
Um dos compradores do animal, Amadeu Cavalcante, presidente da Associação Paranaense dos Criadores de Limousin, disse que o investimento tem retorno garantido, porque Úrsula é filha de campeões da raça e possui uma excelente linhagem genética. O animal será entregue aos compradores somente no final do ano. Essa foi a condição exigida pelo vendedor, que se comprometeu a apresentar a novilha em todas as exposições da raça previstas até o fim do ano. Ela está na Feira do Paraná, porque o evento é uma das etapas do ranking brasileiro da raça limousin, em que o animal está competindo.
Cerca de 90 animais limousin estão em exposição até amanhã, no Parque Castelo Branco e o leilão será realizado hoje, 16, às 19 horas. Serão leiloados 15 machos PO rústicos e 5 fêmeas PO selecionadas. Segundo o vice-presidente da Associação Paranaense de Criadores de Limousin, Paulo Roberto Domanski, a raça vem sendo valorizada no mercado devido à precocidade. Os animais são abatidos entre os 18 e 24 meses de idade, pesando de 17 a 20 arrobas. Os machos puros de origem, de boa genética, são comercializados, em média, entre R$3 mil e R$3,5 mil. As fêmeas, com as mesmas características, são comercializadas em média por R$4 mil a R$4,5 mil.





