Feira é termômetro de mercado
Ao longo dos anos trabalhando na área, Neusa Assad já viu raças serem apresentadas, crescerem e ganharem adeptos entre os criadores. Mas também viu o outro lado: raças de prestígio perderem espaço para outras, plantéis inteiros sendo vendidos e a associação antes tão forte minguar por falta de associados até ressurgir novamente, em um ciclo. Segundo ela, isso é normal. Tudo é uma questão mercadológica, explica. A Exposição de Londrina, como opinia, é um termômetro disto.
Neusa explica que, nos últimos três anos, o Nelore tem crescido muito sua participação na Exposição. Há quatro anos, o número de animais da raça expostos não passava de 600. Nesta edição, são cerca de mil. E só não vieram mais porque limitamos o número de animais por expositores em 15, afirma.
Segundo ela, o Nelore está em alta no mercado por causa da rusticidade da raça. Onde você colocar, em qualquer tipo de pasto, ele vai bem, sem problema de endoparasitose, por exemplo, diz. Para ela, o Nelore brasileiro alcançou uma qualidade excepcional. O investimento em genética e a seleção dos animais foram muito bem feitos. E os criadores estão colhendo os frutos disso, afirma.
As raças zebuínas de modo geral, de acordo com Neusa, tem apresentado um bom desempenho comercial em leilões, o que ajuda a animar os criadores, explica. Caso do Brahman e Guzerá que também estão apresentando uma maior representatividade no plantel brasileiro.
Para Neusa, isso não significa que os europeus (ou taurinos) tenham perdido espaço. O europeu requer cuidados totalmente diferenciados dos zebuínos. Mas em termos de rendimento de carcaça e precocidade são imbatíveis, aponta. São essas características que fazem que o cruzamento do Nelore com o europeu tenha bons resultados. Eles se completam, afirma.
O gado europeu, de acordo com Neusa, passou por um período de baixa no mercado mas pode voltar à cena rapidamente. O Angus, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos. Nesta exposição, estarão aqui 250 animais, um recorde de participação, avalia. Segundo ela, outro exemplo é Simbrasil, uma raça sintética criada a partir do Simental e bem semelhante a esta, porém mais rústico. Este será o primeiro ano que haverá julgamento do Simbrasil na Exposição de Londrina, conta.





