Todo produtor de grãos que preza por qualidade técnica na lavoura sabe a importância de ter opções rentáveis para rotacionar junto a soja e o milho. Pensando nisso, algumas empresas que estiveram na 30ª edição do Show Rural, que se encerrou na sexta-feira (9), em Cascavel (Oeste), apresentaram tecnologias interessantes de feijão e trigo, por exemplo.

Produzido pela Embrapa e lançado na feira, o feijão carioca BRS FC 104 atraiu muitos produtores para o estande da instituição de pesquisa. Eles puderam conferir a cultivar superprecoce, que tem ciclo de 65 dias, da semeadura à maturação do grãos. Uma variedade tradicional possui ciclo de 90 dias, enquanto uma precoce, em torno de 75 dias. Ele pode ser plantado em diversos Estados do País – incluindo o Paraná – nas safras das águas, seca e inverno.


O analista da Embrapa, Marcos Aurélio Marangon, explica que a cultivar traz uma renda rápida para o agricultor, além de ser uma ferramenta excelente para a rotação de cultura, fundamental no plantio direto. "Agora é possível plantar um milho superprecoce, bem cedo, e depois plantar nosso feijão, sem risco de passar por uma geada depois. Os melhoristas da Embrapa inclusive conseguiram fazer uma material muito produtivo, com potencial de 3.800 quilos por hectare. A partir de junho agora já teremos sementes disponíveis para agricultor."

Com ciclo produtivo de 65 dias, o feijão carioca BRS FC 104 pode ser plantado em vários Estados do País nas safras das águas, seca e inverno
Com ciclo produtivo de 65 dias, o feijão carioca BRS FC 104 pode ser plantado em vários Estados do País nas safras das águas, seca e inverno | Foto: Fotos: Victor Lopes



No estande da Biotrigo Genética, a novidade era a cultivar TBIO Energia I, um trigo sem aristas, sendo possível assim introduzi-lo na dieta do gado de corte e leite, uma alternativa em silagem e sem deixar lesões no rúmen do animal. "A qualidade da silagem ficou muito boa. Para as vacas em lactação, estamos oferecendo a silagem de trigo uma vez ao dia, já para as novilhas e vacas secas, estão sendo alimentadas com 100% de silagem de trigo", explica o produtor de Três Barras do Paraná (Oeste), Geraldo Tomazi.

O zootecnista da marca, Éderson Luis Henz, relata que esse "trigo peladinho" tem um alto valor nutricional e boa produtividade. "Não podemos deixar o inverno ocioso. Se depender exclusivamente da silagem de milho e houver uma frustração de safra, a qualidade da silagem cai e influencia diretamente na produção de leite, por exemplo. No inverno temos mais facilidade para produzir (o trigo) e não temos tanto risco de fatores climáticos. Hoje existe esse apelo do produtor para esse tipo de trabalho no inverno, já que muitas vezes ele se frustra também com o aveia para silagem."

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