Curitiba - O feijão, por muito tempo considerado um alimento indispensável no prato dos brasileiros, está perdendo espaço tanto na mesa das famílias quanto na área de plantio. Dados do Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que em sete anos, entre 1997 e 2003, a produção nacional de feijão teve uma baixa de cerca de 200 mil toneladas.
Por sua vez a área de plantio do grão no Paraná, primeiro produtor de feijão do Brasil, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), diminuiu em 6,7%. A redução ocorre entre a safra colhida em 2003 e a que vai ser colhida em 2004. Ainda de acordo com o Deral, a estimativa para a próxima safra (em janeiro) é de 700 mil toneladas no Estado e 3 milhões de toneladas no Brasil.
O preço da saca (60 kg) do grão também vem caindo nos últimos meses. Hoje, segundo o corretor da Correpar, Danilo Rend, a saca do feijão preto, o mais consumido no Estado, está valendo R$ 81 e do tipo carioca, também muito consumido no Paraná, está cotada em R$ 58. Há um mês, esses valores eram de R$ 86 e R$ 65, respectivamente. Um ano atrás, esses dois tipos de feijão eram vendidos a R$ 90 e R$ 72, respectivamente. O consumo continua caindo; as vendas do produto nos supermercados estão lentas'', afirma Rend.
''A vida moderna, que obriga muitas pessoas a fazer refeições rápidas, e a diminuição no poder aquisivo das pessoas podem ser a razão para essa queda no consumo de feijão'', constata o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro.
Entre os produtos que ocuparam o espaço do feijão, o macarrão é um dos principais. E a variação de preço dos dois produtos justifica essa substituição. De acordo com dados do Dieese, de agosto de 1999 até setembro deste ano o preço do feijão subiu 106% equanto o do macarrão subiu 69% na Região Metropolitana de Curitiba.
Porém, Cordeiro ressalta que esses dados valem para o interior do Estado também, uma vez que os fornecedores dos produtos são os mesmos.
Nos campos paranaenses, o plantio de feijão da próxima safra deveria ter começado em meados de agosto, mas a falta de chuvas adiou para início de outubro. Isso significa que a colheita, que deveria atingir seu pico em dezembro, será adiada para janeiro.
Mas, mesmo com esse atraso de 30 dias, o estoque no Estado não vai ser prejudicado. ''Não deve haver falta de feijão no mercado, pois a estimativa é fechar o ano com um estoque de passagem de 480 mil toneladas'', afirma o engenheiro agrônomo do Deral, Richardson de Souza.

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