Feijão: o grão de ouro do momento
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sábado, 24 de novembro de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A reação nos preços de feijão ao mesmo tempo em que deixa produtores rindo à toa obriga consumidores a buscar outras alternativas de alimentação. No início da semana, a saca de 60 quilos (kg) do feijão carioca na roça custava entre R$ 180 e R$ 190. No atacado o preço variou entre R$ 200 e R$ 220 e no supermercado o valor médio era de R$ 4,50/kg. ''Comparado ao mesmo período do ano passado o feijão está 198% acima do preço de mercado'', afirma Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, em Curitiba.
Esses valores ''nunca pagos antes ao grão'', segundo Luders, ocorre pela pouca oferta do produto no mercado. No início do ano, o excesso de chuvas derrubou tanto a qualidade quanto o preço do feijão desestimulando os produtores a investir na cultura para a safra em curso, considerada a primeira e a mais importante no estado. A área foi ocupada por outros produtos de mesmo período de cultivo, mas com preços mais compensadores, como o milho. ''Além dos super preços para o milho se faz um contrato de compra, existe um mercado futuro. Aí, é preferível plantar milho'', completa.
Pelos cálculos oficiais, a área plantada de feijão teve uma redução de 18,3% e na produção, até agora, estima-se uma diminuição de 24%. ''O volume de produção pode ser ainda menor'', presume Margorete Demarchi, técnica do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Deral/Seab).
Margorete não quis comentar os atuais preços do feijão. ''O mercado extrapola o nível de preços. Há muita especulação, é um mercado sem credibilidade''. Ela limitou-se a dizer que no mês de outubro o preço médio do feijão carioca ficou em R$ 89,22 e do feijão preto em R$ 62,92. ''A demora na chegada das chuvas atrasou nossa safra, mas não se justifica um preço acima de R$ 200 por saca'', conclui.
Parte da culpa pela ausência de um mercado formal para o feijão, de acordo com o diretor da Correpar, é dos produtores que vendem o produto sem nota fiscal. ''O feijão cobre os custos tributários de outros produtos com mercados bem estabelecidos, como a soja'', explica Luders.
Já o cerealista Efraim Bueno de Moraes, de Quatiguá, destaca a defasagem de preços que o feijão vem sofrendo há muitos anos e, consequentemente, aumentando a ''dose'' de desestímulo dos produtores. Mas a falta de feijão para atender a demanda de mercado não ocorre apenas pela redução da área plantada. Efraim confirma a queda na produção. Entre seus clientes, a média de colheita está bem abaixo do que se registra em uma boa safra. ''Tem gente colhendo 30 sacas por alqueire quando o ideal seria de 70 a 100 sacas'', diz.
Mesmo admitindo um excesso, a reação dos preços, para ele, ameniza a conta dos prejuízos sofridos pelo produtor. ''O consumidor também tem sua parcela de culpa. Ele quer o produto e como fornecedor preciso garantir o feijão nas gôndolas dos supermercados pagando os preços que o produtor impõe, a necessidade dita os preços'', justifica-se.
Para o cerealista os preços excessivos do feijão têm curta duração. ''A colheita está atrasada, quando começarem a entrar no mercado os feijões vindos do sul do estado, que sofreram menos com a estiagem, o preço deve se regularizar'', prevê.
No varejo, o preço do feijão provoca diminuição de consumo. ''Houve redução, em média, de 20%'', calcula o supermercadista Luiz Cláudio Depieri Vicente. As donas-de-casa têm buscado substituições para o produto. ''Fica mais barato levar carne do que pagar R$ 4,00 no quilo do feijão'', diz.


