Feijão Maravilha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Claudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Um dois, feijão com arroz; três, quatro, feijão no prato''. Nada como uma cantiga de roda para lembrar da infância, e ter a certeza que a leguminosa feijão não está apenas na mesa do brasileiro mas enraizada em nossa cultura. O feijão lembra cheiro de toucinho na hora do almoço, ou de louro no jantar, e até mesmo uma sopinha em dias frios - tudo com um toque especial e receitinhas únicas, muitas passadas por gerações. Feijão é um prato típico nacional, que não raro, prega alguns sustos no mercado devido alguns percalços que podem aparecer durante as três safras anuais. Plantar feijão não é tarefa trivial e cabe aos produtores fazer mais que o ''o arroz-com-feijão'' para abastecer centenas de boca ansiosas por aquele ''hummmmm''.
A realidade do abastecimento do feijão no Paraná beira a tradição: períodos de pouca oferta contra os abundantes. A escassez espanta o consumidor porque o preço do produto vai além do bolso e o consumo cai. Muitas vezes, até substituído por uma lentilha, por exemplo, mas nunca abandonado. Produto demais no supermercado representa queda no preço ao produtor. Planta-se além na safra seguinte, quando na anterior o preço foi bom - uma prática comum que provoca um cabo de guerra entre quem compra, quem vende e quem come.
A visão que o mercado de feijão é desorganizado e fraco, já que não é uma commodity, é uma''verdade'' que não entra na análise de Marcelo Luders, corretor de mercado da Correpar. Para ele, é fase de ''pingo nos iis'' e crescimento, já que as tradicionais especulações e sonegadores estão saindo de cena. ''É uma tendência nacional, mas no Paraná, em especial, há uma maior transparência por parte do produtor uma vez que o ICMS baixou para 1% e não há mais razões para sonegar. Com a queda desta prática, novas variedades desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e uso de tecnologias, têm dado mais confiança ao mercado, melhorado a qualidade e a produtividade'', afirma.
O feijoeiro faz parte da família das leguminosas como o grão-de-bico, ervilha e lentilha. O comum é cultivado ao longo do ano, na maioria dos estados brasileiros, proporcionando constante oferta do produto no mercado. É cultivado tanto em culturas de subsistência quanto em cultivos altamente tecnificados. Há tipos para todas as cores, gostos e aplicações. O mais popular é o carioca, denominado cores pelos especialistas de mercado e entidades do setor agrícola.
A cultura é de ciclo relativamente curto, no maximo 100 dias após plantado pode ser colhida uma safra. Há feijão o ano todo e o ano-safra e o calendário de colheita é dividido em três safras: 1 safra (das águas) colheita de novembro a março - concentração nas regiões Sul, Sudeste, Goiás e Bahia, predominância do preto; 2 safra (da seca) colheita de abril a junho - concentração nas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Goiás, preodominância do cores; 3 safra (de inverno) colheita de agosto a outubro - concentração em Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Bahia, época de baixa produção de ambas variedades.


