Feijão guandu: guarda-costas do cafeeiro
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sábado, 15 de dezembro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O cultivo do café tem se mostrado uma boa opção para a diversificação da pequena propriedade. Ao contrário de algumas décadas atrás quando ocupava dezenas de hectares de médias e grandes propriedades, o café hoje divide espaço com outras culturas e contribui para o aumento de renda e preservação das condições de cultivo da área.
Pesquisadores e produtores acabam desenvolvendo técnicas para aumentar produtividade e rentabilidade. Tecnologias como o adensamento e técnicas para a produção do café orgânico são algumas alternativas disponíveis aos produtores. Porém, algumas vezes o próprio agricultor descobre métodos que facilitam o cultivo e melhoram o seu rendimento.
Um bom exemplo é a implantação de feijão guandu nos cafezais, idealizada pelo cafeicultor Américo Figueiredo Neto, no município de Abatiá, na década de 1980. O consórcio traz benefícios como proteção contra geadas e excesso de calor, além da diminuição da insolação e do ataque de doenças e pragas. A técnica foi testada e comprovada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e hoje é recomendada pela instituição de pesquisa e Emater. O filho de Américo, Ronaldo Casado Figueiredo, adota a prática criada pelo pai, que já faleceu.
Intercalado no cafezal o guandu forma um túnel e além do quebra-vento pode ser utilizado como matéria orgânica para proteção do solo. Os grãos fornecem um ótimo alimento para a família e ainda complementam a alimentação animal.
A perspicácia e observação do produtor Américo foram determinantes no desenvolvimento da técnica. Segundo Ronaldo, o pai decidiu plantar feijão guandu nas curvas de nível da propriedade para proteger os café novos. ''Em seguida ele percebeu que as plantas que ficavam embaixo da linha de guandu se desenvolviam e produziam melhor'', conta.
A sombra do guandu mantém a temperatura e umidade do solo, o que diminui os custos com a irrigação. O consórcio também facilita o manejo do cafezal, reduzindo a necessidade de capina. A iniciativa de Figueiredo foi tão proveitosa que pesquisadores do Iapar fizeram experimentos e comprovaram a eficácia da técnica.


