Feijão com qualidade e renda
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Sílvio Oricolli Reportagem Local 
Tradicionalmente considerada cultura de subsistência e que ajudava a engrossar o orçamento de micro e pequenos agricultores, de uns tempos para cá o feijão se refinou e passou a ocupar importantes espaços em fazendas, inclusive integrando o sistema de rotação de culturas. Produto valorizado hoje no mercado, a leguminosa também tem atraído pelo ciclo curto - em torno e 90 dias - que pode ser intercalada entre as principais culturas de verão. Também avançou em genética e tecnologia, chegando aos campos como material mais resistente a pragas, doenças e fatores climáticos, com maior potencial produtivo e melhor qualidade. Enfim deu um salto das acanhadas lavouras para plantios comerciais, bastante rentáveis.
Genética
E o grande ganho genético da pesquisa de feijão na última década foi o de obter linhagens de porte ereto, resistentes ao acamamento, à estiagem e às altas temperaturas, informa Vânia Moda Cirino, pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Segundo ela, depois das doenças, o fator que limita a cultura é justamente a seca, mesmo porque 60% do feijão é cultivado em áreas sujeitas à falta de chuvas.
Prova do acerto da pesquisa está sendo obtida na Fazenda Andorinha, em Mauá da Serra, onde o agricultor Haroldo Uemura está colhendo 38 sacas do feijão Iapar 81, do grupo carioca, em 157,3 hectares. Com um detalhe: a produção conseguida em período de seca ficou só um pouco abaixo da produtividade média de 41 sacas por hectare. Uemura credita o bom desempenho da lavoura à melhoria genética do material aliada ao manejo correto de pragas, doenças e do solo. Dentro de 40 dias ele inicia a colheita da 24,2 hectares cultivados com a IPR 88 - Uirapuru (feijão preto). O resultado deve ser melhor, porque o custo de produção é menor e a produtividade um pouco maior que o de cores.
Vânia explica que, no mercado, o produto alcança bom preço por causa do tipo, com grãos claros. O Iapar 81 foi lançado comercialmente em 1997 e tem se expandido nas regiões recomendadas - Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Resultado de vários genótipos (progenitores), este feijão é de porte ereto e não acama com facilidade, o que o torna apropriado para a colheita mecânica, mesmo porque a inserção das vagens ocorre na altura ideal para a operação. Não significa, porém, que foi desenvolvido para lavouras mecanizadas, porque ele agrega outras vantagens, como a qualidade, já que a vagem não toca o solo e, em condições de umidade, os grãos não são atingidos. Ela também destaca que o potencial produtivo de 58 sacas por hectare, superior à média de 33 sacas do carioquinha, além da tolerância à seca e altas temperaturas recomendam a cultivar para qualquer propriedade, mas dentro de critérios técnicos.
Preto
Vânia também lembra que o feijão preto, da variedade Uirapuru, lançado comercialmente em 2000, é de porte ereto e resistente ao acamamento. Mas tem propriedades extras, porque a inserção da vagem é mais alta que a do Iapar 81, o que assegura a qualidade do grão. E como a planta tem arquitetura próxima à soja a colheita mecânica é mais eficiente. Como os grãos são moles, o tempo de cozimento não ultrapassa 20 minutos, além de ter coloração tradicional e boa capacidade de tingimento dos ingredientes da feijoada, por exemplo, afirma. O ciclo desta variedade é de 86 dias, ante os 90 e 92 dias de outras cultivares, e o potencial produtivo de 61,6 toneladas por hectare. Diante de seus resultados, apesar de inicialmente recomendada para o Paraná e São Paulo, a Uirapuru está sendo plantada em regiões do Cerrado brasileiro.


