Feicorte comemora recordes em vendas
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sexta-feira, 02 de julho de 2004
Mariana Guerin<br>De São Paulo 
A participação de empresários estrangeiros na Feicorte corroborou o potencial brasileiro para exportações de carne bovina. Durante esta edição, que negociou R$ 12,6 milhões, foram fechados numerosos negócios, mais do que no ano passado, segundo os organizadores.
Destacou-se a participação de pecuaristas costa-riquenhos que compraram gado nos leilões Premium Simental e troncos e balanças do Centro de Logística de Exportação, Celex.
''Foram excelentes as vendas de sêmen de touros como Vuurlag, usado para cruzamento industrial, assim como as vendas da genética de Mr. Optimal e Kalgery'', comemorou o pecuarista Ivan Fábio Zurita, que fechou negócios com empresários costa-riquenhos, canadenses e norte-americanos.
Para a coordenadora geral da Feicorte, Maria Cristina Bertelli, por ser um evento destinado ao agronegócio, o público deve ser qualificado. ''Buscamos a visita de investidores'', explicou.
Cerca de 35 mil pessoas passaram pelo Centro de Exposições Imigrantes nos quatro dias de feira para apreciar as mais de três mil cabeças de 20 raças européias e zebuínas de 400 criadores de todo o Brasil.
''A Feicorte já é a maior feira de pecuária de corte da América Latina e a idéia é crescer ainda mais dentro deste segmento'', declarou a coordenadora.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, Carlos Viacava, a feira é a vitrine da pecuária brasileira. ''O fato de ser realizada em São Paulo, com a disponibilidade de infra-estrutura da capital, a torna imbatível'', comentou.
Recorde O maior preço pago por um animal durante a Feicorte 2004 aconteceu no leilão Premium Simental, comandado pelo pecuarista Bob Ziegert. Neste leilão, a vaca Biba da Ilha Verde foi arrematada por R$ 216 mil.
O pecuarista mato-grossense Carlos Novaes promoveu dois leilões Inca durante a Feicorte, cuja receita total superou R$ 2 milhões. ''Novamente meus leilões foram um sucesso em termos de negócio e de público'', disse.
''Esperávamos vender bem, mas nossa expectativa foi superada'', comemorou João Arantes Neto, da Agropecuária Nova Vida, que pela primeira vez realizou um leilão de gado Senepol na Feicorte, vendendo 35 animais à média de R$ 17,220.
Os leilões organizados paralelamente à feira também faturaram alto. O Prenhezes de Elite Nelore emplacou R$ 2,998 milhões no total, enquanto o 3-B Embriões Nelore Mocho colocou no mercado 33 lotes pela média de R$ 29,4 mil.
''Trabalhar com foco em um público ligado à pecuária de corte impulsiona os negócios na Feicorte e a torna bastante dinâmica'', argumentou o pecuarista Luiz Carlos Marino, um dos promotores do 3-B.
Os 180 expositores mostraram otimismo no décimo ano de feira. ''Eu notei uma mudança bastante positiva. O evento trouxe novamente os grandes selecionadores e também os produtores, ou seja, aqueles que têm uma visão mais comercial da pecuária'', informou Ricardo Pompeo, gerente comercial da ABS Pecplan em São Paulo.
''Isso é altamente positivo para a pecuária de corte nacional, pois significa que todos estão atrás de tecnologia visando a qualidade do produto final, que é a carne'', concluiu Pompeo.
Estréia Novidade durante o evento, os pregões de cavalo quarto-de-milha e ovinos obtiveram média de R$ 7,632 e R$ 8,066. Segundo Maria Cristina Bertelli, no ano que vem, ovinos e caprinos vão ganhar um evento único. ''A segmentação é que faz o sucesso da feira'', analisou.
Os preparativos para a edição de 2005 tiveram início logo após o término da feira. Para Maria Cristina, a Feicorte deve crescer ainda mais no próximo ano, já que a área interna do Centro de Exposições está totalmente tomada. ''Teremos de expandir a feira para a área externa, com a construção de novas tendas. Só assim abrigaremos todos os animais expostos'', finalizou.


