Fecularias vão buscar matéria-prima em outras regiões
O Paraná é o maior produtor de fécula do País e, nas últimas safras, o processamento continua crescendo. As fecularias disputam o mercado, inclusive, buscando matéria-prima em outros estados devido aos preços crescentes da mandioca na região Noroeste. De acordo com números do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em 2012 (último levantamento) a produção nacional de fécula fechou em 519,6 mil toneladas, sendo 374,3 mil toneladas (72%) oriundos do Paraná. Em 2011, o Estado havia produzido 366 mil toneladas, ou seja, crescimento de 2,2% entre um ano e outro.
A Podium Alimentos, localizada em Paranavaí, é uma das indústrias que utiliza a mandioca como matéria-prima. A empresa é responsável pela produção de 25% do montante nacional de amidos especiais para a linha de pão de queijo. Entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014, a produção de fécula dobrou de 60 toneladas/dia para 120 toneladas/dia. "Desde que aconteceu a quebra de produção no Nordeste, a procura pelos derivados de mandioca aumentou demais. É um efeito cascata, do produtor, passando pela indústria até o varejista. Toda a cadeia está aproveitando esse bom momento", relata o diretor industrial da Podium, Maurício Guehlen.
Como os preços estão inflacionados e há muitas fecularias e farinheiras disputando matéria-prima, a Podium e outras empresas estão buscando mandioca de outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul. Do total de 400 toneladas de mandioca processadas por dia no Estado, 20% não são paranaenses. "Se o mercado está disputado aqui, vamos atrás dos fornecedores de fora. O produto acaba chegando aqui pelo mesmo preço, mas para os produtores é interessante, já que muitas vezes o mercado dessas regiões não está tão aquecido como o paranaense."
Enquanto o mercado nordestino continuar desabastecido, Guehlen acredita que os preços vão continuar em patamares elevados, já que o nordestinos "sabem valorizar tais produtos". "Acreditamos que até o final do primeiro semestre desse ano a comercialização vai continuar em bom ritmo", complementa. (V.L.)





