O 9º Encontro de Produtores, realizado esta semana pela Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), serviu como um curso superintensivo sobre as últimas novidades tecnológicas da agricultura, mostrando o que existe de mais novo em termos de pesquisa agropecuária aos cerca de três mil associados da cooperativa. Durante cinco dias, os participantes visitaram 12 estações tecnológicas espalhadas pelos 170 hectares da Fazenda Experimental, na saída para Guarapuava.
‘‘É uma verdadeira sala de aula na fazenda’’, comparou o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. Todas as novidades e experimentos são apresentados aos cooperados por técnicos da Embrapa, do Iapar, da Coodetec e da própria Coamo. ‘‘Nem em uma faculdade de agronomia pode-se ter contato direto com tantos técnicos’’, ressalta Gallassini. Por isso mesmo, ele não tem dúvidas: quem prestigia o evento sai na frente de quem não participa. ‘‘Eventos desse tipo são um dos segredos do sucesso da Coamo’’, emenda o diretor da Coodetec, Ivo Marcos Carraro.
O encontro dos produtores da Coamo (que inclui em sua área de ação 39 municípios do Paraná e Santa Catarina) começa cedo. Às 7h30 os cooperados já estão no ginásio de esportes da Arcam, onde assistem a uma rápida cerimônia de abertura e tomam o café da manhã. Quem vem de longe, como dos municípios do Sul do Estado e de Santa Catarina, têm que sair de casa de madrugada. Mas ninguém parece se importar.
Para não perder tempo, os participantes são divididos em equipes para as visitas simultâneas às 12 estações. A rotina se repete há 9 anos, e o número de participantes não pára de crescer.
PráticaComo tudo é feito dentro da Fazenda Experimental da Coamo - uma das mais completas do País -, as explicações teóricas são rápidas e seguidas de demonstrações práticas daquilo que acabou de ser falado. ‘‘Quando o assunto é a importância da correção de fósforo no solo, mostramos ao mesmo tempo os experimentos feitos na fazenda’’, exemplifica o agrônomo Joaquim Mariano Costa. Isso sem falar que o produtor fica frente a frente com os pesquisadores para fazer a pergunta que quiser. ‘‘Ninguém sai com dúvidas.’’
Na Estação do Pastejo Rotacional e Recuperação de Pastagens, por exemplo, o objetivo foi despertar o produtor para o uso de novas tecnologias que melhoram o rendimento da pecuária. ‘‘O simples piqueteamento do pasto pode triplicar o rendimento de leite e de carne’’, frisa Costa. ‘‘E o investimento é baixo.’’ Já a Estação da Influência da Biotecnologia na Agricultura procurou preparar os produtores para a chegada da biotecnologia. ‘‘Se não houver preparação, eles podem enlouquecer quando isso chegar para valer no País’’, afirma o agrônomo.
Outras duas estações apresentaram lançamentos e resultados de pesquisas com herbicidas para milho, soja e algodão. ‘‘Aqui a mensagem é conscientizar os cooperados que é impossível trabalhar atualmente sem assistência técnica’’, ressalta Costa. A estação mostra os muitos produtos à disposição no mercado, que confundem os agricultores e, quando usados de forma errada, causam prejuízos. Em outra estação, a ‘‘aula’’ é um incentivo à silagem. ‘‘O produtor tem que acostumar a fazer silagem’’, prega Costa. ‘‘É simples e barato.’’
Tração animalOs efeitos de fontes de fósforo em soja, milho e algodão são o tema de outra estação apresentada aos cooperados. A estação mostrou a eficácia e o baixo custo do adubo fosfato aliado à calagem do solo. Nas duas estações seguintes, os técnicos mostraram novas variedades e épocas de plantio para milho e soja. O plantio direto com tração animal também mereceu uma estação própria. ‘‘Mostramos que isso é uma realidade, uma solução para os problemas técnicos dos pequenos produtores’’, observa Joaquim Costa.
A décima estação tratou das alternativas de controle no manejo de pragas da soja. Para comprovação, foram mostrados dados obtidos pelos produtores da Bacia do Rio do Campo, em Campo Mourão. Na estação seguinte, os cooperados conheceram os resultados práticos acumulados pela Coamo em mais de 10 anos de rotação de cultura. Por fim, uma estação apresentou novas variedades e tecnologias para produção de algodão. Uma das novidades foi a apresentação de variedades desenvolvidas para a colheita mecânica do produto.

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