Cláudia Barberato
De Londrina
Depois da colheita da soja, o agropecuarista João Guimarães Costa, de Ubiratã, no Centro-Oeste do Paraná, vai plantar o milheto para produção de feno. Na safra de verão ele já colheu a gramínea coast-cross, que foi enfardada e comercializada. Depois do milheto que é cultivado agora, no outono, terá produção de aveia, no inverno.
A fazenda Grande Carajá tem 126 alqueires com produção de milho e soja no verão. Em março, depois da colheita da soja, entra o milheto que será colhido em maio. A seguir é plantada a aveia, colhida entre setembro e outubro, para novamente dar lugar ao milho e a soja do verão. A coast cross só é cultivada no verão.
Com a comercialização do feno a lucratividade pode chegar a 20%, rendimento maior que a produção de soja e milho da fazenda. O quilo do feno é vendido por R$0,18 e um caminhão leva aproximadamente 8 mil quilos.
A produção do feno é feita o ano todo. Em 99 foram produzidas 1.300 toneladas, transportadas em mais de 230 caminhões. João Costa tem 216 clientes cadastrados em oito Estados brasileiros, de Santa Catarina até o Tocantins. O maior volume vai para São Paulo.
A maior demanda de feno é para gado leiteiro ou bovinos de corte confinados, além de cabras leiteiras ou equinos. O pecuarista que compra o feno geralmente não tem na sua propriedade área suficiente para produção de alimentos ou quando tem pastagens compra o material para reforçar a dieta do rebanho. Isso geralmente acontece em anos em que a seca castiga a pastagem, como foi no ano passado.
Na falta do pasto‘‘No ano passado a demanda por feno foi aquecida pela seca no verão, que afetou os pastos, e depois houve uma geada antecipada em abril, que acabou com as áreas de pastagens’’, lembra João Costa.
O feno não é só destinado à alimentação de animais. O material de qualidade inferior, aquele que toma chuva no campo, é vendido também para cama de aviários, ninho de matrizeiros, criação de cogumelos e cobertura de minhocários. É vendido também como cama para animais em recintos de exposições.
O produtor faz questão de lembrar que todo o material produzido na propriedade passa por análise bromatológica, feita a cada safra. ‘‘Uma garantia da qualidade para os clientes,’’ garante o produtor.
Os maiores clientes são pecuaristas leiteiros. Há também uma demanda grande para cabras leiteiras, criadas no Vale do Paraíba e, na Grande São Paulo, para abastecer as pequenas chácaras que têm gado, mas não possuem áreas de pastagens. ‘‘Os haras também são bons clientes, especialmente do feno de coast-cross e milheto, este bem aceito pelos cavalos.’’
A produção do feno na Fazenda Grande Carajá, conta João Costa, começou como alternativa de inverno na propriedade. Médico aposentado, João Costa via dificuldades na produção de inverno na propriedade.
‘‘Na região existe dificuldade para o cultivo de culturas de inverno, como o trigo, porque o clima é seco e frio. Existe risco de geada de abril até outubro. No caso do trigo é possível que a geada pegue a cultura na floração, o que inviabilizaria o cultivo. No caso da aveia, uma geada não seria problema, porque o frio mata o grão, o que é até interessante para a produção do feno. Na aveia para feno o que se quer é folha e não grão’’, explica João Costa.
ParceriasCom aumento do consumo de feno João Costa está procurando outros produtores de sua região, para formar parcerias no cultivo dos materiais. Ele fornece sementes e compra a produção. No ano passado já plantou 30 alqueires em parceria e este ano, principalmente no caso do milheto, que tem boa aceitação, e da aveia, quer formar novas parcerias no cultivo.
‘‘A plantação de culturas para fenação é uma alternativa para pequenos agricultores que não deverão arriscar o plantio do trigo e que deixariam as terras nuas, sem cultivo no inverno’’, garante João Costa.
A aveia, entre os materiais cultivados para produção de feno, é a mais produtiva com 8 a 12 mil quilos por alqueire. O milheto, no outono, chega a produzir de 8 a 9 mil quilos por alqueire e a coast-cross 10 mil quilos por alqueire com 5 cortes/ano.
A atividade, segundo João Costa, além de boa margem de lucro, proporciona emprego para muitas pessoas. ‘‘São 20 caminhões na entressafra de grãos, 7 funcionários fixos e 15 variáveis. Todo o produto é vendido com nota fiscal do produtor e há recolhimento de ICMs do frete e do
feno.’’
Segundo o produtor o que impede que mais gente invista no negócio é a estrutura de maquinários necessária para a produção. ‘‘A reposição de peças também é cara.’’ Para a produção do feno, além da lavoura, o produtor tem que dispor de investimentos em maquinários: uma segadeira, um ancinho enleirador e uma enfardadeira.’’
Na operação da colheita é preciso ainda um trator em cada uma dessas máquinas, além de pequenas carretas para transportar o feno do campo até o barracão onde será prensado. O feno deve ser guardado para evitar chuvas e queda na qualidade do alimento.
Economia de espaçoCom a ajuda do mecânico da fazenda Costa desenvolveu uma prensa para reduzir o volume dos fardos e manter o mesmo peso. Depois de prensado, o feno, de 1,2 metro cai para 40 centímetros. A prensa tem uma capacidade de força de 50 toneladas. A máquina foi desenvolvida nesta safra e possibilita reduzir espaço no caminhão na hora de transportar o material. O feno prensado com a máquina representa redução de 48% no custo do frete .
Todo o feno que sai da propriedade é prensado; antes um caminhão transportava perto de 5 mil quilos de feno; hoje leva aproximadamente 8 mil quilos. Em muitos casos o frete saía mais caro que o produto. Segundo Costa a prensa é que viabilizou a venda de feno para fregueses a grandes distâncias.
Outra estrutura necessária para a produção do feno são barracões para abrigar o material. A fazenda Grande Carajá tem um barracão de 450 metros quadrados para guardar os fardos. Costa está construindo mais dois barracões com a mesma capacidade.Maiores clientes são pecuaristas que não dispõem de área para produzir alimentos
Máquina de prensar o feno reduz tamanho do fardo mas não reduz o peso. Pressão é de 50 toneladasO feno prensado com a máquina representa redução de 48% no custo do frete. ‘A direita um fardo comum e à esquerda três fardos, depois de prensadosJoão Guimarães Costa: satisfeito com a lucratividade da produção de feno que pode chegar a 20%.Alimentação animalMaior investimento para a produção de feno está na maquinaria

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