Fazenda deve ser tratada como empresa
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
''É preciso mudar a cabeça do produtor e abrir sua visão para que ele possa administrar a fazenda como uma empresa.'' A opinião é do veterinário e, também produtor de leite, Maurício Greidanus, de Carambeí, no Centro-Sul do Paraná. Ele é um dos alunos do curso de gestão da propriedade leiteira, que acontece até novembro na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP), e reúne em duplas produtores e seus técnicos.
As aulas também acontecem na Fazenda Colorado, em Araras (SP), uma propriedade considerada modelo por seu sistema de produção, resultados em produtividade e a forma como é gerida.
A Colorado faz a produção do leite tipo A. Três ordenhas diárias somam 25 mil litros de leite. O rebanho tem 1.200 animais, sendo 700 fêmeas das quais 650 em lactação com produção média de 38 litros/dia.
O curso de gestão, feito com base no gerenciamento aplicado na Colorado, já está no terceiro ano e tem apoio da Vallée, empresa do setor de medicamentos veterinários. Este ano são 18 duplas selecionadas com apoio de cooperativas de produtores de leite de todo o País.
Depois de mudanças no gerenciamento da propriedade a partir de 1996, basicamente com a valorização da mão-de-obra no controle de todos os passos da produção, foi possível saltar de 6.500 litros/dia com 350 vacas para os atuais 25 mil litros, destaca o responsável técnico pela fazenda, Paulo Machado, professor da Esalq/USP.
Segundo ele, o processo implantado na fazenda não tem segredos. As mudanças na forma de conduzir a atividade não são apenas de ordem técnica, destaca Machado, mas comportamentais, com alterações na forma de conduzir o negócio. Em todo o processo a preocupação é maior em valorizar o funcionário, o capital humano da propriedade, principal responsável pelas mudanças.
Na Colorado, os funcionários são treinados e estimulados a perceber a influência do seu trabalho no resultado final. O principal gargalo da pecuária leiteira é a própria mentalidade de boa parte dos produtores que revelam uma visão voltada para curto prazo sem definir exatamento o que querem.
Outro produtor paranaense Sandro Viechnieski, que também participa do curso de gestão, foi buscar nas aulas práticas na Fazenda Colorado, o exemplo da administração voltada para a qualidade total e a valorização da mão-de-obra. Sandro é da região de Cascavel e produz 11 mil litros dias, com 360 vacas em lactação e média de 28 litros/vaca/dia.
''Gostei da divisão em setores - produção do leite, criação dos animais, produção de alimentos e processamento do leite'', comenta o produtor. ''Com a divisão de setores e responsabilidades, de acordo com Sandro, é possível verificar o custo de produção de cada setor, comparar com o orçamento inicial, elaborar um balanço e saber a taxa de retorno da atividade.
O gerenciamento, segundo o produtor, permite montar uma rotina de trabalho e, embora não tenha um reflexo direto sobre a produtividade, no final, acaba alterando detalhes que fazem a diferença na rentabilidade.
Com a identificação de pontos fracos, fortes, ameaças e oportunidades é possível traçar tendências e objetivos, destaca Paulo Machado, da Esalq.
Mas isso não é possível, continua o professor, sem o envolvimento total dos funcionários, ''que neste modelo de gestão têm poder de opinião e decisão, além de serem remunerados de acordo com o mercado, o que traz satisfação e maior rendimento no trabalho.''
A jornalista viajou para Araras (SP) a convite da Vallée.


