Fazenda Canadá vai produzir e industrializar palmito
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Oswaldo Petrin 
A Palmeira Real da Austrália, que até 30 anos atrás era considerada planta ornamental, encontrada principalmente no Vale do Itajaí (SC), começa a ser cultivada no Norte do Paraná em escala industrial. O projeto da Fazenda Canadá, em Londrina, prevê o plantio inicial de 60 hectares e produção de 1,5 mil toneladas de palmito, em três anos. Estudos de viabilidade apontam boa receptividade no mercado interno, mas o objetivo do empresário João Viotto Neto, ao criar a Palmitex, é a exportação. A empresa fará o ciclo completo do processo agroindustrial: produção de mudas, cultivo da árvore, industrialização e comercialização. Na segunda fase, pretende chegar a uma capacidade de produção de 3.000 t da própria empresa e toda produção que vier da parceria com produtores integrados, que está em formação.
Cerca de 1 milhão de mudas estão em crescimento. A fazenda, que antes se destinava ao gado de corte, recebeu adequação necessária. Em setembro de 2005 deverá ocorrer o primeiro corte em escala industrial.
O projeto tem orientação de técnicos da Epagri, de Santa Catarina, que vêm estudando a Palmeira Real da Austrália (PRA) desde 1980.
Além das vantagens sobre as demais palmáceas, em termos de adaptação, a PRA surge como opção racional diante do desenfreado extrativismo de palmito natural na Mata Atlântica.
No final dos anos 80, a maioria das indústrias de palmito de Santa Catarina - estima-se mais 80% - migraram para a Amazônia. Mas, lá como em todo o Litoral, a produção se revelou rapidamente finita. Uma árvore nativa leva cerca de 10 anos para chegar ao ponto de corte, sem falar do problema da mão-de-obra com alta incidência de malária - observa João Viotto.
Com o término da reserva natural da Mata Atlântica, o Brasil, maior produtor e consumidor, perdeu mercado internacional para a Costa Rica. Enquanto isso, os norte-americanos descobriraram a pupunha e ampliaram seu mercado, lembra Viotto.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Palmito, em 1999 o Brasil movimentou 320 milhões de dólares em palmito, mas se ressente, cada vez mais, da falta de matéria-prima.
Um mercado fantástico, com amplo crescimento empolgou o agropecuarista e técnico João Vioto Neto: Superestimei as hipóteses de risco e projetei sempre por baixo as variáveis de sucesso em todas as etapas do plantio à colocação do mercado. Com técnicos no assunto, planejamos todas as etapas do proejo - sempre com os pés no chão - e a conclusão é a de que o sucesso de um projeto desses é garantido, afirma.
Para os parceiros fornecedores - a empresa está formando um condomínio - a Palmitex oferece as mudas, dá consultoria e faz um contratro de opção de compra de toda a produção. Com base em dados disponíveis no mercado, hoje, já é possível fixar os valores de compra por bastão.
Embora todo investimento da Fazenda Canadá, nesta primeira etapa, sejam recursos próprios, João Vioto acredita na criação de linhas de créditos para os produtores. Embora o retorno não seja imediato, trata-se de empreendimento de baixo risco e mercado garantido.


