Marcos BorgesCompradorNo ano passado o Brasil importou 385 mil toneladas de algodão em pluma. Neste ano o volume deve ser ainda maiorO Governo Federal, com déficit na balança comercial, editou recentemente a Medida Provisória nº 1569, que encurta os prazos para liquidação das importações de diversos produtos, entre eles o algodão. Esta era a principal reivindicação do setor produtivo de algodão, pois as importações facilitadas pelo crédito, prazos longos e juros mais baixos no mercado internacional concorrem deslealmente com o produto nacional.
Porém, após a edição da medida provisória, houve pressões dos outros países do Mercosul e o Governo Federal abriu uma exceção para os produtos importados desses países, que passam a ter prazo de pagamento de 60 a 90 dias e limite de US$ 40 mil nas negociações até 31 de agosto/97.
Em 1996 o Brasil importou 385 mil toneladas de pluma, a um custo de US$ 739 milhões. Cerca de 33% desse volume veio de países do Mercosul - Argentina (44 mil t) e Paraguai (84 mil t). Dos Estados Unidos, o Brasil importou 42 mil t (11%) e 60 mil t do Uzbequistão (16%).
CríticasO presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, criticou na semana passada o apoio do Governo às importações de algodão pelo setor têxtil. Neste ano elas atingirão 500 mil toneladas do produto em pluma, custando ao País US$ 900 milhões. ‘‘São números assombrosos, que só contribuem para desestimular a produção nacional de algodão’’, afirma de Salvo, ressaltando que o volume a ser importado é recorde na história da economia brasileira.
Dia 25/4 o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT) indeferiu recurso movido pela CNA contra as importações de algodão, principalmente dos Estados Unidos, a preços subsidiados nos países de origem. O Ministério entendeu que não há qualquer relação entre o aumento das importações e a queda da produção brasileira de algodão. Em relação aos subsídios, embutidos nos preços dos produtos estrangeiros, apontados pela CNA, o Ministério sequer se pronunciou.
Para Antônio de Salvo, a Comissão de Defesa Comercial do MICT, que analisa os pedidos de salvaguarda contra importações subsidiadas, está voltada para os interesses do setor industrial. ‘‘A agricultura nunca obteve um parecer favorável do MICT às suas reclamações’’, acrescenta de Salvo. Para o presidente da CNA é preciso democratizar esta comissão, alterando sua composição, de modo que o setor agrícola possa também influenciar nas decisões.

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