Os produtores paranaenses de sucesso, sem dúvida, também são aqueles inseridos nas cooperativas agropecuárias do Estado. O sistema cooperativista fez com que eles alcançassem novos patamares econômicos e entendessem que, unidos, seriam mais fortes para enfrentar o mercado nacional e claro, internacional, quando se trata das exportações de commodities.
Os números falam por si só. Exemplo claro de que o agricultor paranaense integrante de uma das 74 cooperativas do Estado tem força, conhecimento e pujança para evoluir. Em 2014, a movimentação econômica de todas elas atingiu a marca de R$ 42,1 bilhões, o que representa 16% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. São 135 mil cooperados – um terço dos agricultores do Paraná – que produzem 56% do volume total da agropecuária paranaense.
O gerente técnico econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar0, Flávio Turra, salienta que apesar da recessão econômica vivida pelo País, os produtores cooperados do Estado estão crescendo em 2015. É claro que este crescimento não tem o mesmo ritmo do ano passado, mas ele avalia a renda como positiva comparada a outros setores. "Os preços dos produtos agrícolas remuneradores como a soja, milho, frango, suínos e leite estão dando resultados positivos esse ano. Nossa expectativa é que o faturamento das cooperativas cresça entre 7% e 10% e os resultados financeiros para os cooperados (sobras de final de ano) neste mesmo ritmo", projeta ele.
De maneira geral, Turra comenta que os produtores cooperados estão num sistema muito bem orquestrado e hoje possuem 16 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, disponibilidade de assistência técnica, equipes capacitadas na área de comercialização e, claro, a agroindústria, que hoje representa 38% em todo o Estado e traz uma série de vantagens, principalmente no que diz respeito a agregação de valor da produção. "Todas as cooperativas agropecuárias do Estado tiveram resultados positivos no ano passado", lembra.
Se o suporte é importante, o gerente da Ocepar não tem dúvidas de que o perfil do agricultor paranaense hoje está ligado a uma excelência em capacitação, busca de informação e entendimento técnico da sua propriedade para sobreviver num mercado bem mais complexo do que o de anos anteriores. "Aquele que não se capacita, não se profissionaliza, fica sem espaço e abandona a atividade. A grande maioria dos produtores do Estado são pequenos e médios e sabem a importância de diversificar a área para viabilizar uma boa remuneração. O agricultor deve estar sempre conectado com o que está acontecendo no Brasil e no mundo e, claro, estar junto de cada passo da cooperativa, desde a negociação da compra de insumos até a cotação de preços para a venda."
Para o gerente da Ocepar, o Paraná tem entidades importantes que fomentam a capacitação do produtor rural, como é o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), que têm capacitado, inclusive, os dirigentes das cooperativas, que estão muito mais profissionalizadas. "Todos sabem a necessidade de gerar resultados."
Apesar de o mercado agropecuário ser bastante dinâmico e sofrer a influência do cenário econômico, Turra acredita que o consumo de alimentos no mundo vai continuar ditando esse crescimento. "Olhando de forma bem simplificada, o mundo está precisando de alimentos. Quem fizer isso, vai continuar tendo seus produtos comprados. Vemos um movimento de urbanização na China o que deve aumentar a demanda de alimentos. Por um bom tempo, o produtor paranaense vai continuar em meio a um negócio positivo." (V.L.)

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