O produtor Braulio Boletta Filho diz que esta é a pior crise da mandioca dos últimos anos. ‘‘Em 1996, passamos por uma crise, mas naquele ano, o dólar era equivalente ao real, hoje o dólar vale o dobro do real. Só por isso a crise já é muito maior’’, justifica. Boletta Filho tem 61 alqueires de mandioca e não sabe o que fazer com o produto. ‘‘Não tenho para quem entregar, porque pelo preço que está sendo praticado, é melhor não colher’’, diz. Conforme Boletta Filho, o custo de produção é de R$ 75,00 por tonelada, incluindo o arranquio e o frete. O mercado está pagando apenas R$ 55,00 por tonelada.
Para o empresário João Eduardo Pasquini, dono da Fábrica de Farinha de Mandioca Paquini, em Nova Esperança, a crise no setor é uma questão da lei de oferta e procura. ‘‘Aumentou muito a área de cultivo da mandioca e o setor só deve se normalizar em alguns meses’’, prevê. Pasquini ainda mantém a farinheira, mas diz que a fábrica funciona parcialmente. ‘‘Temos ficado com a fábrica parada porque os estoques estão cheios e o comprador ainda não veio buscar a mercadoria’’, explicou. Segundo ele, desde o início do ano, a maioria das farinheiras que estão sobrevivendo à crise trabalham desta forma. ‘‘Como há excesso de oferta, há maior demora para vender o produto’’, justifica. Pasquini tem 12 funcionários na fábrica e para não demití-los, o empresário que também arrenda uma propriedade rural, acaba transferindo os trabalhadores para a lavoura. ‘‘Eles vão para a lavoura enquanto a gente fica com a fábrica parada’’.
O empresário Vanderlei Petris também tem uma farinheira em Alto Paraná que está com o estoque cheio e por isso, com as portas fechadas. ‘‘Já vendi a farinha, mas o comprador não veio buscar ainda, então não tenho como trabalhar’’, lamenta. Segundo ele, as indústrias do setor estão em dificuldades financeiras. Petris diz que está ‘‘levando’’ a farinheira para não ter mais prejuízos. ‘‘Se eu demitir os funcionários e fechar a fábrica vai ficar muito mais caro’’. Nos dias em que a fábrica fecha, Petris diz que os funcionários não têm o que fazer. ‘‘Não posso demiti-los.’’ (L.P.)

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