O projeto desenvolvido na região centro sul, que está sendo implantado também na região de Londrina, teve com um dos incentivadores a Ong Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Familiar (AS-PTA), que coordena os trabalhos junto a 10 mil famílias. O Programa de Melhoramento Genético Participativo foi implantado em 1999 e inicialmente identificou 79 variedades crioulas, número que atualmente chega a mais de 150.
No resgate e conservação das variedades, os agricultores familiares se transformam em pesquisadores. Numa área coletiva, são montados experimentos com variedades crioulas e híbridos. Os agricultores adotam as mesmas práticas culturais que usam na sua propriedade e depois comparam os resultados das diversas variedades. ''As crioulas têm melhor desempenho nas condições em que são cultivadas pelos agricultores familiares'', afirma Maldonado.
No acompanhamento, os agricultores fazem anotações sobre as características das plantas com relação ao florescimento, resistência a doenças e pragas, altura das plantas, tamanho, peso e número de espigas, porcentagem de plantas acamadas ou quebradas e o teor de umidade.
Segundo o professor da UEL o agricultor familiar pode buscar o melhoramento das variedades crioulas.''É possível acrescentar características vantajosas dos híbridos, como precocidade e altura das plantas''. As crioulas, como explica, atingem uma altura maior, o que possibilita o acamamento e quebramento.
Maldonado destaca que o objetivo do projeto não é confrontar a tecnologia do híbrido, mas auxiliar os agricultores a decidir o que usar na propriedade. Como o milho é usado geralmente para alimentação da família ou dos animais, o agricultor tem preferência por algumas variedades, pelo sabor e textura que conferem aos alimentos.''Por isso é importante a preservação das variedades. As diferenças entre elas são condicionadas pelos genes. Se não houver a conservação, quando o agricultor quiser se utilizar delas não estarão disponíveis'', diz o professor.
As variedades são conservadas também num banco de germoplasma. Porém, de acordo com o professor, a técnica não é suficiente para a preservação das sementes crioulas. ''Num banco, ficam conservadas as características das plantas. Porém, ela não passa pelo processo evolutivo que passaria ao ser cultivada e sofrer efeitos ambientais'', explica Maldonado. (R.C.)

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