Família insiste em tocar a lavoura à moda antiga
A família Camponucci dos Santos, pequenos produtores de Santa Cecília do Pavão (60 km ao sul de Cornélio Procópio), não se encaixa na perspectiva do novo perfil da cultura de algodão com sistema de produção mecanizado e inserida em médias e grandes propriedades, como querem as cooperativas. A optou pelo algodão justamente por ser de cultivo manual.
Enfrentam dificuldades do plantio à comercialização; sofrem com a falta de assistência técnica e reclamam do custo de produção. Mas não desistem.
O filho Adevanir Camponucci dos Santos, 24 anos afirma: ''já era para ter largado o algodão''. O pai, Adegar José dos Santos, 43 anos, há 20 anos lidando com esta cultura, consola:
''Não largamos porque a família tem que sobreviver. O algodão ainda é a alternativa para o pequeno agricultor, que não tem como partir para soja ou milho, que exigem grandes áreas e colheita mecanizada''. Segundo Adegar dos Santos, na região muitos outros pequenos agricultores plantavam algodão e foram obrigados a desistir. ''Mas com incentivo eles voltam. É a única opção''.
O filho, Adevanir, afirma que para os bóias-frias a continuidade desta cultura também é importante. ''É o algodão que dá trabalho para este pessoal. Hoje eles foram para a cidade. Conseguem algum serviço na colheita de café em Minas Gerais ou no corte de cana em Nova Fátima'', explica.
A família empregou 10 trabalhadores na colheita do ano passado e nesta deverá empregar cinco durante 60 dias. ''Há oito anos era bom. Hoje, as culturas mecanizadas estão tirando o trabalho do homem.
Os Camponucci, que sempre viveram do algodão reduziram a área de quatro alqueire no ano passado, para 1,5 alqueire. E ainda desistiram dos 2,5 alqueires do vizinho, que vinha arrendando há anos.
Vivem do algodão Adegar, a esposa, dois filhos, duas noras e dois netos. Para manutenção das famílias, é preciso produtividade acima de 400 arrobas por alqueire. Ano passado a lavoura rendeu 180 arrobas. O jeito foi buscar nova fonte de renda, nas flores, mas está em fase inicial. (E.P.)





