Ampliar o atendimento às famílias carentes da zona rural paranaense é o grande desafio do Programa Paraná 12 Meses, instituído em 1998 com o objetivo de combater a pobreza no campo e melhorar os recursos naturais do Estado. Desde sua criação, foram investidos US$ 108 milhões no Paraná, valor que o secretário municipal de agricultura e abastecimento de Londrina, Nilson Ladeia, considera insuficiente. ''Parece bastante, mas não é. A demanda por subsídios é muito grande, pois há anos o setor enfrenta falta de investimentos'', comentou.
De acordo com Carlos Biasi, extensionista estadual da Emater, apesar de 90 mil propriedades do Paraná possuirem área de até 15 hectares, atendendo a um dos pré-requisitos para integrar o programa, a previsão é beneficiar 18 mil famílias até o final do ano. Com relação às vilas rurais, cujos recursos também provêm do 12 Meses, a situação se repete.
Biasi informou que em um universo que supera 90 mil famílias de trabalhadores rurais volantes, 18 mil receberam uma casa e um lote de cinco mil ha que caracterizam as vilas. ''O desafio é ampliar o atendimento, tanto no aspecto das questões habitacionais e de renda como com relação à oferta de uma assistência técnica e social mais permanente, o que inclui o apoio de prefeituras e ongs'', defendeu.
Necessidades Em Londrina, Nilson Ladeia acredita que seriam necessários R$1,2 milhão para amenizar as dificuldades dos agricultores familiares. Segundo ele, existem 1,7 mil produtores aptos a acessarem o programa, mas apenas 300 foram atendidos. A única liberação expressiva de recursos aconteceu há dois anos atrás, quando foram enviados R$ 400 mil para o município. Este ano, o governo liberou apenas R$ 5 mil para aquisição de uma máquina de beneficiamento de arroz.
Para o secretário, a falta de recursos se explica pelos critérios adotados para definir os investimentos. Na sua opinião, enquanto a indústria recebe incentivos importantes, o setor agrícola fica em segundo plano. ''Uma empresa de veículos, por exemplo, recebe R$ 100 milhões e gera mil empregos. Se o dinheiro fosse investido na agricultura, seriam criadas pelo menos duas mil vagas. O setor tem que estar entre as prioridades, devia haver uma divisão mais justa'', analisou.
Ladeia defende que incentivos como o Paraná 12 Meses, com recursos a fundo perdido (o beneficiado não precisa devolver o dinheiro), são fundamentais para manter os agricultores familiares na zona rural. ''Sem subsídios, eles não têm como competir com produtores de outros países'', disse.
Públicos distintos O Paraná 12 Meses atende dois públicos distintos. O primeiro é formado por pequenos proprietários, arrendetários, parceiros, meeiros e comunidades indígenas em processo de exclusão. Para essas famílias, são liberados recursos para melhoria da infra-estrutura da propriedade (habitação, água, esgoto, luz) e geração de renda (insumos, sementes e equipamentos, entre outros itens). Já as vilas rurais atendem trabalhadores rurais volantes.
O extensionista Carlos Biasi lembrou que a intenção do programa é melhorar a qualidade de vida dos beneficiados, o que passa pelo aumento da auto-estima. ''Quando a família tem uma casa confortável, com água e luz, fica mais estimulada a produzir'', comentou.
Outra diretriz do Paraná 12 Meses é incentivar a organização. ''Trabalhadores e pequenos proprietários rurais são muito individualistas. Estamos tentando mostrar que a organização permite obter mais conquistas'', afirmou.

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