Faltam política agrícola forte e engajamento da sociedade

Apesar de toda a expectativa de entidades nacionais e internacionais sobre o protagonismo brasileiro nos próximos anos em relação ao País "alimentar o mundo", alguns produtores não compram muito bem esse discurso. Para eles, o Brasil precisa evoluir internamente em muitas questões antes de pensar desta forma.
Produtor de grãos no distrito londrinense de São Luiz, Milton Casaroli Neto, trabalha numa área de 500 hectares é um dos que não compactua com esse discurso todo. "Escuto essa conversa há 30 anos e acho um pouco ufanista. Hoje o grande produtor é os EUA, e a Argentina também produz muita comida. Acredito que o Brasil é um dos grandes (players), mas não a salvação do planeta."
Com investimentos fortes da China na África, Casaroli acredita que outras nações também vão entrar nesta briga nos próximos anos. "O Brasil é uma estrela dessa constelação, mas não é a que mais brilha", ilustra.
Para o produtor, o Brasil precisa focar antes de tudo em políticas agrícolas sérias, para resolver, por exemplo, problemas básicos como o do seguro rural. "O governo não precisa nos ajudar muito, se parar de atormentar com regulações e normas, já fica interessante. Por outro lado, sabemos que o protecionismo vai aumentar muito em todo o mundo e a diplomacia brasileira precisa ser mais dura. Todo mundo se impõe, menos a gente."

Para Carlos Kamiguchi, que produz grãos e frutas numa área de 300 hectares em Mauá da Serra, para que o País conquiste tal status, é preciso do engajamento da sociedade como um todo. "Existe muito marketing em cima disso, tentamos fazer a nossa parte. Não depende apenas do nosso trabalho, mas também de uma política agrícola e de projetos (na esfera política)."
Por fim, ele considera que o Brasil pode se tornar um player de força junto ao mundo. "Temos uma extensa área agriculturável, o que nos dá inclusive poder de barganha em termos comerciais. Precisamos de mais competitividade produtiva, melhor infraestrutura e logística, agilidade na exportação, armazenagem, além de um custo Brasil menor." (V.L.)





