O alto preço do feijão ao consumidor, instabilidade dos preços pagos ao produtor e até a necessidade de importação do produto são resultado da falta de planejamento e incentivo à cultura. A opinião é do pesquisador Marco Antonio Lollato, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). ''É inadmissível que o Brasil com as dimensões que tem, sofrer com o abastecimento de um produto fundamental para a dieta da população, sobretudo dos mais pobres'', sintetiza.
De acordo com o pesquisador, cabe ao governo garantir o abastecimento, fomentando a produção nas regiões onde houver aptidão. A situação enfrentada hoje é resultado da falta de estímulo e de linhas especiais de crédito. ''Como o preço do milho e da soja estava bom, muitos produtores abandonaram o feijão'', diz Lollato.
Quando há redução na produção o usual, segundo ele, é culpar fatores climáticos. Porém, como argumenta, na última safra houve estigem de 40 dias, o que não justifica o desabastecimento. ''Como não tinha produto de outras regiões, o preço explodiu'', afirma. A falta de estímulo e planejamento, de acordo com Lollato, resultou na redução de 200 mil toneladas das 1 milhão de toneladas previstas para a safra das águas.
O feijão é cultivado tradicionalmente em duas safras - de julho a setembro (das águas) e da seca (dezembro e janeiro). Mas o mercado pode receber o reforço de uma terceira safra, em fevereiro e março. Lollato afirma que o Iapar fez gestões entre cooperativas e produtores para incentivar o plantio do feijão após as culturas de milho e soja, o que ocorreu principalmente no Paraná. ''Em 30 dias deve ser iniciada a colheita de inverno em Minas Gerais, Goiás, parte de São Paulo e Mato Grosso'', destaca.
Para o pesquisador a entrada dessa safra vai contribuir para garantir a manutenção de preços mais acessíveis ao consumidor, que chegou a preços exorbitantes - de R$ 6,50 a R$ 7,00 - nos últimos meses.
O preço e a disponibilidade do feijão na próxima safra vão depender de algumas iniciativas. De acordo com Lollato, se o milho e a soja se mantiverem nos atuais patamares de preço, não haverá aumento substancial na área do feijão. Desse modo, são necessárias medidas para estimular os produtores, como crédito e assistência técnica. ''O crédito atualmente está nos jornais e na TV, mas não nos bancos'', critica. Lollato afirma que a falta de participação das cooperativas no mercado de feijão também tem reflexos na produção e abastecimento.
O feijão, que segundo o pesquisador sempre esteve relegado a segundo plano, precisa de incentivos como apoio governamental, publicidade dirigida aos produtores e garantia de preço, como ocorre com outras culturas. ''A situação é tão grave que chegamos a importar o produto da Argentina'', diz Lollato.
O país vizinho manda todos os anos ao Brasil 100 mil toneladas de feijão preto e 25 mil toneladas de feijão branco. Segundo o pesquisador, os argentinos produzem especialmente para atender os consumidores brasileiros, estudando as variedades desenvolvidas no Brasil, muitas vezes sequestrando alguns materiais.
O pesquisador, porém, destaca que existe um mercado potencial ao feijão brasileiro no exterior. Há dois anos, Europa e Ásia recebem o nosso produto e têm preferência pelos feijões brancos, rajados e de sementes grandes. Em 2007 400 mil sacas foram exportadas.

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