Mais que uma questão de preço, o baixo consumo de orgânicos em Londrina é conseqüência da‘‘desorganização dos elos da cadeia produtiva’’. Essa é a avaliação do presidente da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (Acopa), Moacir Roberto Darolt, que é também pesquisador em agroecologia no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Curitiba. Para ele, falta uma articulação do produtor com o consumidor. ‘‘O produtor não conhece a demanda, assim, não sabe o tipo de produto que deve cultivar’’, avalia.
  Essa desarticulação, segundo Darolt, interfere na constância da oferta desse produtos. ‘‘O produtor tem uma baixa escala de produção, vende pouco, aí o reflexo cai direto nos preços que ficam sempre mais caros’’, calcula. Apesar disso, Darolt considera normal esse comportamento de mercado. ‘‘É um processo que vai se ajeitando’’. Ele acredita que em quatro ou cinco anos o quadro esteja equacionado.
  Para Darolt uma forma de organizar o consumidor londrinense seria a criação de uma feira específica de produtos orgânicos. Ele cita o bom exemplo de Curitiba, onde a experiência já dura 12 anos. ‘‘Temos quatro feiras semanais e mais uma em organização. Além disso, até o ínicio do ano que vem teremos um mercado permanente de orgânicos’’. O mercado permanente é uma iniciativa da prefeitura do município.
  A feira divulgaria melhor a atividade conquistando mais consumidores. ‘‘A pessoa saberia onde comprar e o que comprar’’, afirma. Pela característica de vida saudável a que remete a agricultura orgânica, Darolt sugere que o ponto ideal para esta feira deve ser um local voltado à natureza, próximo a um parque. ‘‘A região do lago (Igapó) tem este perfil’’, opina. Ele salienta que a venda direta pelo produtor traz a vantagem de preços melhores.
  Linhas de incentivo por parte do governo, na avaliação de Darolt, traria contribuições, mas ‘‘o mais importante é o apoio e a organização da sociedade civil. Isso leva à participação do governo’’, garante.

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