O pesquisador Rui Pereira Leite, da área de fruticultura do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), admite que as pesquisas com o caqui não têm prioridade. Ele estima que a área plantada em todo o Estado não chegue a 1,5 mil hectares. ''Temos que optar por culturas que dêem maior retorno econômico''.
A antracnose do caqui, de acordo com Rui Leite, é bastante recente, em torno de seis anos. Ele presume que os caquizais da região de Apucarana foram os primeiros a receber e disseminar a doença no País. A antracnose, informa, ocorre nos países do Sudeste Asiático, Coréia e Japão.
Diferente de outras regiões do Paraná e do Brasil, onde há possibilidade de convivência, os caquizais da região de Apucarana foram dizimados devido a suscetibilidade da cultivar giombo, a preferida dos produtores e consumidores. A doença age nas folhas, frutos e ramos do caquizeiro. Nos ramos, a ação é sistêmica e de díficil controle, levando a planta à morte.
O pesquisador alerta que é preciso avaliar se a aplicação preventiva de fungicida poderia evitar a entrada da doença. ''Pode até controlar a doença mas creio que não seja economicamente viável'', calcula.
A aplicação de fungicidas, para Rui Leite, traz mais um problema: não há muita opção do produto cujo uso esteja permitido por registros em órgãos oficiais. As regras adotadas pelo Paraná complicam ainda mais essa possibilidade, pois não basta apenas o fungicida estar autorizado pelo Ministério da Agricultura, é preciso também a autorização da Secretaria de Agricultura. Mais uma vez, por ser uma fruta de pequena expressão econômica, não haveria interesse das empresas em buscar registro de outros produtos. ''São dois processos com dois custos diferenciados'', diz.
A saída, na opinião do pesquisador, é optar por outras cultivares da fruta que sejam resistentes e tenham características parecidas com a do giombo. Ele cita o caqui Kioto, cuja produção ocorre no Estado de São Paulo.(C.G.)

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