Falta pele para os curtumes
De acordo com o empresário Edson Souza, a demanda da indústria de curtimento supera a oferta de matéria-prima no Paraná. Diariamente são abatidos cerca de 5 mil animais, enquanto a capacidade de produção dos 12 curtumes do Estado é de 22 mil peles por dia. ''O Paraná é um grande importador de couro de outros estados como Bahia e Pará'', aponta.
Em Rolândia, o Vanzella curte diariamente 2 mil couros, enquanto a filial do curtume em Sinop, no Mato Grosso, tem o dobro da capacidade de curtimento, chegando a 4 mil couros/dia. Os fornecedores estão localizados, em média, a 300 quilômetros de distância das fábricas, conforme afirma Souza.
Cada 10 quilos de pele faz um metro de couro, que é comprado em quilo e vendido em metro. Há um ano, calcula Souza, o quilo do couro custava R$ 0,55. ''Hoje custa cerca de R$ 1,00'', diz.
Após a primeira fase do curtimento, o couro wet blue já é considerado commodity e é comercializado nos mercados interno e externo. A segunda etapa do curtimento envolve o tingimento do couro conforme as especificações da indústria, seja para estofamento ou calçados e artefatos. A terceira e última fase do processo industrial é o acabamento do couro, realizado em fábricas próximas das unidades consumidoras.
O Curtume Vanzella, por exemplo, produz apenas o couro wet blue, que tem como principal destino o mercado externo. Uma parte da produção, ressalta Edson Souza, é destinada à Internacional Indústria e Comércio de Couros, que representa o grupo inglês Crest Leather, um dos principais clientes do curtume.
Segundo o empresário, os ingleses propuseram uma parceria ao curtume brasileiro e inauguraram, há quase dois anos, uma unidade de produção de couro semi-acabado em Rolândia. ''Na fábrica da Internacional é realizada a segunda etapa do curtimento, a produção do couro semi-acabado, que é exportado para as filiais da Crest Leather na Europa'', diz. (M.G.)





