Falta investimento em tecnologia
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sexta-feira, 29 de agosto de 1997
Luciane Tonon Cornélio Procópio 
Luciane TononVisitaGrupo de produtores e técnicos colombianos conhece as lavouras de café do Norte PioneiroA melhoria na qualidade e tecnologia do café podem colocar o Brasil como um dos melhores produtores do mundo. Esta foi a observação feita por um grupo de cinco colombianos que estiveram esta semana visitando algumas fazendas cafeeiras do Norte do Paraná. Eles fazem parte de um grupo de 14 técnicos, cooperativistas e produtores estrangeiros que vieram conhecer a cultura do café no Brasil.
Na comitiva que visitou algumas fazendas no Norte Pioneiro, estavam presentes: o gerente geral da Almacafé S.A, Gonzalo Rivera; diretor da unidade de extensão da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (Federacafé), Marino Restrepo Angel; o assessor de desenvolvimento cooperativo, Ruben Mejia Gomez e o gerente da Cooperativa de Cafeicultores do Ocidente, Gustavo Vasquez.
TecnologiaPara eles, o café brasileiro tem grandes condições de subir no conceito internacional por ter mão-de-obra farta e amplas áreas cafeeiras, faltando somente investimentos em tecnologia. A Colômbia, por exemplo, tem 65% da sua produção no café adensado, enquanto o Brasil não chega a 5%. O café brasileiro é seco em terreiro; o café colombiano tem venda garantida por ser do tipo lavado e semilavado, considerado de melhor qualidade. Isso garante para Colômbia U$0,30 de prêmio para cada meio quilo de café vendido, e para o Brasil um deságio de 10%.
Na Colômbia o produtor tem garantia de venda do produto com um preço de sustentação de U$ 235 dólares a saca de 70 quilos, explicou o gerente da Almacafé, Gonzalo Rivera. Segundo ele 50% da compra de café no país é efetuada pela Federação Nacional de Cafeicultores, que é composta por 57 cooperativas e 550 pontos de compra. Os outros 50% são comprados por empresas exportadoras (cerca de 60 empresas registradas).
Uma grande vantagem observada por eles aqui no Brasil foi em relação à extensão territorial. Na Colômbia, 95% dos produtores têm menos de cinco hectares de terra, o que permite a técnica do adensado. Deve-se contar também que o terreno onde o café está concentrado é inclinada, à beira das Cordilheiras, explicou o técnico da Federacafé, Marino Angel.
Questão socialUm ponto comum entre os dois países é a estrutura macro-econômica. As duas nações são as principais produtoras de café do mundo, responsáveis por 45% do total. Assim como no Brasil, a questão social também é um dos maiores problemas da Colômbia e o Governo deveria estar consciente que o café é um grande gerador de empregos, comentou Rivera.
Para o presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná (Apac), Newton Carneiro, o Brasil deveria ter uma organização de amparo para o setor cafeeiro como a Federação Nacional da Colômbia. É um órgão para-estatal, que há 70 anos se preocupa com o desenvolvimento da zona cafeeira nas questões de venda, garantia de preço, saúde e qualidade de vida do produtor, informou Carneiro. Segundo ele, a federação é dona de uma frota marítima, de uma linha aérea regional, um banco de crédito e um de financiamento.
Já o Brasil, que produz mais, é maior consumidor e tem mais produtores, teve extinta sua única estrutura de amparo, o Instituto Brasileiro de Café (IBC), comentou Carneiro. Ele disse ainda que o mercado mundial terá um déficit de 10 milhões de sacas, pelo aumento de consumo, que poderá ser suprido pelo café brasileiro. Uma vez que a Colômbia não produzirá o suficiente para cobrir a demanda. Mas precisamos urgente de uma cultura de qualidade, finaliza.


