Arquivo FolhaEconomiaO cultivo do trigo reduz os custos de produção da safra de verãoSe depender da oferta de sementes de trigo para a safra paranaense que se inicia no final deste mês e começo de abril, haverá redução de área em torno de 30%, em relação à área cultivada no ano passado.
O diretor-executivo da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Apasem), Eugênio Bohatch, informou que a disponilidade de sementes é de 2 milhões 200 mil sacas de 50 kg, suficientes para plantar 700 mil hectares (ha). Na safra passada o Paraná plantou 1 milhão 50 mil ha, aproximadamente 60% do total de 1 milhão 850 mil ha plantados no País.
Eugênio Bohatch explica que cerca de 1 milhão de sacas que seriam destinadas a sementes foram vendidas para as indústrias. ‘‘Muitos produtores de sementes não quiseram ou não puderam esperar para vender sua produção na época em que se inicia o plantio. A falta de recursos e a indefinição da política agrícola contribuiram para esta decisão’’, comentou Bohatch.
Qualidade e industrializaçãoO trigo é um alimento de larga utilização industrial e doméstica. Foi incorporado aos hábitos alimentares do brasileiro ao longo dos anos e atualmente o consumo nacional é superior a 8,2 milhões de toneladas anuais. A maior parte da produção, 80%, é destinada à indústria alimentícia. A fabricação de pães absorve 60% deste total, enquanto 17% vão para a industrialização de massas; 8% para bolachas e biscoitos e 15% para uso doméstico e confeitaria.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional não é suficiente para atender a demanda do consumo e somos obrigados a importar. No ano passado o Brasil produziu 3,2 milhões de toneladas, ocupando uma área de 1,8 milhão de hectares.
Segundo informação da pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, da Embrapa, Eliana Maria Guarienti, 80% das sementes disponíveis para o plantio são cultivares de classe superior, que atendem as exigências do mercado de panificação e de massas alimentícias.
Genética e ambiente‘‘A qualidade industrial do trigo é o resultado da somatória de características genéticas do material e das condições ambientais. E se temos materiais geneticamente superiores, conseguir um trigo de qualidade vai depender basicamente do clima e dos cuidados do produtor’’, comenta Eliana.
Antes do plantio o produtor deve selecionar a variedade de acordo com as características agrônomicas, o rendimento, e principalmente o mercado a que se destina o produto. A adubação nitrogenada adequada à cultivar é importante para melhorar a qualidade do grão.
A pesquisadora lembra a importância do controle de pragas e doenças, e também das ervas daninhas. Eliana lembra que em 96 a condições climáticas foram favoráveis ao aparecimento de um defeito fisiológico (chamado barriga branca). no grão. Este tipo de defeito produz queda acentuada na qualidade industrial, pois o conteúdo de proteínas é bem inferior ao obtido em safras que não sofreram este tipo de problema.
Posteriormente, os cuidados na colheita e armazenagem são determinates na qualidade do produto final. Nesta etapa, o controle da umidade e a regulagem das máquinas evitam os grãos quebrados e as perdas.
Custo de produçãoO Brasil hoje é um grande importador de trigo, principalmente da Argentina. A partir de 88, quando as importações foram liberadas, o País se transformou no maior cliente da Argentina. Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Dionisio Brunetta, o Governo brasileiro acabou cedendo às pressões da indústria paulista, que tem outros negócios com os argentinos.
Os moinhos preferem comprar fora, principalmente porque o pagamento é parcelado. Como os custos de produção dos argentinos é muito menor que o do Brasil, o trigo brasileiro tem dificuldades para ser competitivo. Enquanto os gastos diretos na produção de trigo no Brasil são ao redor de US$ 320,00/ha e os Estados Unidos gastam em torno de US$ 237,00, na Argentina são gastos apenas US$ 64,29/ha nas lavouras sem fertilizantes e US$ 102,24/ha nas lavouras que recebem adubação nitrogenada, de acordo com informações do CNPTrigo.
Mesmos com estes custos, Dionisio Brunetta defende a triticultura como atividade fundamental para o desenvolvimento agrícola do Paraná. ‘‘O trigo gera emprego, imposto e riquezas. Pode não ter um lucro direto significativo, mas reduz os custos da safra de verão, não deixando o solo exposto’’, diz Brunetta.
O pesquisador da Área de Economia do CNPTrigo, Ivo Ambrosi, tem a mesma opinião: ‘‘Quem está na atividade agrícola, não pode deixar o solo descoberto, e como alternativa de inverno o trigo é uma das melhores opções, pois traz renda para o produtor.’’

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