A falta de sementes de plantas de cobertura no mercado é um dos principais entraves à adesão dos produtores rurais à adubação verde, cuja prática é considerada fundamental para o sucesso do sistema de plantio direto. A informação é de um grupo de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que preocupados com esta dificuldade, vêm realizando um trabalho de incentivo à produção própria de sementes por parte dos agricultores.
Nos dias 14 e 15 de agosto, eles realizaram cursos e dias-de-campo sobre o tema para produtores e técnicos de Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel) e Pato Bragado (123 km a noroeste de Cascavel). As atividades foram coordenadas pelos pesquisadores Carlos Augusto Pereira Motta, José Pedro Garcia Sá, João José Passini, Ademir Calegari, José Nivaldo Pola, Osmar Muzilli e Elir de Oliveira.
Mercado O pesquisador João José Passini comentou que os produtores oficiais de sementes não investem em plantas de cobertura por não acreditarem na existência de demanda expressiva para os produtos. ''O agricultor, por outro lado, não procura porque sabe que não vai encontrar no mercado'', disse. No Paraná, metade dos 6,5 milhões de ha agricultáveis fica descoberta durante o inverno, evidenciando a existência de um mercado potencial para as sementes.
Outro fator que dificulta a adesão é o alto preço das poucas variedades disponíveis. Um quilo de semente de crotalária, por exemplo, custa de R$ 4,80 a R$ 5. O quilo da ervilhaca sai por até R$1,50, sendo necessários 60 quilos de semente por hectare (ha) para realizar uma cobertura satisfatória da área. Na opinião dos representantes do Iapar, uma forma de amenizar o problema é investir no auto-abastecimento. ''Estamos capacitando os agricultores para torná-los aptos a produzirem suas próprias sementes'', acrescentou Ademir Calegari.
Há três anos, o Iapar instalou oito campos pilotos em propriedades rurais da região lindeira (às margens da represa Itaipu), para treinamento e divulgação de tecnologias relacionadas à produção de sementes de cobertura e plantio direto. O projeto é apoiado pela Itaipu Binacional, que aderiu à idéia porque tem interesse na difusão do sistema na região. O plantio direto, que diminui os níveis de erosão no campo, contribuirá para reduzir o assoreamento da represa.
Manejo Carlos Augusto Pereira Motta ensinou que os cuidados para produção de sementes de plantas de cobertura são os mesmos necessários às outras culturas. ''O material de origem deve ser livre de patógenos e de sementes invasoras. É importante utilizar produtos de boa qualidade fisiológica'', recomendou.
Os proprietários dos sítios que abrigam campos piloto receberam pequenas quantidades de sementes para serem plantadas. Após colhidas, uma parte será utilizada para consumo próprio e o restante será repassado para outros agricultores. A pesquisa garante que as sementes produzidas em um hectare são suficientes para fazer a adubação verde de 20 ha.
Por enquanto, o projeto está restrito aos municípios lindeiros, mas o pesquisadores acreditam que a tecnologia gerada nessa etapa inicial possa ser repassada para outras regiões. Eles também informaram que produtores do restante do Estado interessados em produzir suas próprias sementes de cobertura podem procurar o Iapar para receberem orientação.
Serviço O telefone do Iapar é (43) 376-2000.

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