O trabalho de regulagem dos equipamentos, mesmo fazendo parte do dia a dia no campo é muitas vezes negligenciado, resultando em perdas no volume final da produção
O trabalho de regulagem dos equipamentos, mesmo fazendo parte do dia a dia no campo é muitas vezes negligenciado, resultando em perdas no volume final da produção | Foto: Anderson Coelho/25-10-2015



A produtividade de grãos no Paraná está acima da média nacional, o que não significa que seja impossível melhorar. Por mais que a experiência do agricultor no trabalho no campo seja grande, questões como pressa ou excesso de confiança acabam por gerar perdas facilmente evitadas com a simples regulagem de maquinário. É o que mostra o estudo "Avaliação da Qualidade de Semeadura de Culturas de Inverno no Sul do Brasil", feita pelo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), com patrocínio da Fundação Agrisus (Agricultura Sustentável) e parceria com a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural).

Segundo o levantamento, 44,8% dos produtores erraram a dosagem de sementes em mais de 10% e 70,3% superaram a mesma margem na aplicação de fertilizantes. O resultado implica em custo desnecessário, ou dinheiro jogado fora, diz o coordenador do estudo Ruy Casão Junior, do Iapar. "É o mesmo que ter dinheiro para aplicar e deixar parado na caderneta de poupança, em vez de colocar em um investimento que renda mais."

Ele afirma que são comuns os estudos sobre manejo do solo, mas não sobre como o produtor se relaciona com o maquinário. Por isso, a equipe do Iapar observou especificamente o trabalho de regulagem dos equipamentos, que faz parte do dia a dia no campo e, por vezes, é negligenciado.

Quando observado o erro máximo atingido na aplicação de cada um dos insumos, a perda chega a assustar. Conforme pesquisa, os agricultores buscavam aplicar, na média, 77,5 sementes por metro linear. Houve caso em que o volume foi inferior em 30,9%, o que equivale a 23,5 unidades em relação à média.

No caso do adubo, dos 255,8 quilogramas por hectare (kg/ha) desejados, um produtor chegou a usar um volume 52,3% diferente do que gostaria. Se o valor fosse comparado à média, resultaria em 133,8 kg/ha a mais ou a menos.

Casão Junior diz que, de forma geral, a regulagem de máquinas no campo não foi ruim, mas pode melhorar e muito, principalmente nos casos mais extremos. Porém, cita que foi possível identificar que ainda é preciso melhorar o trabalho bem feito na extensão rural paranaense em relação aos equipamentos, ainda que a Emater tenha excelência na divulgação de conhecimento em outras searas do campo. "Os programas de extensão rural e de aprendizagem, por meio do Senar, podem identificar qual tipo de produtor erra e onde ele erra, para oferecer treinamento", afirma, ao citar o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.

O trabalho de regulagem da máquina começa no barracão, deve ser feita antes de cada trabalho no campo e faz parte da extensa lista de atividades do agricultor, mas não é complicado. A roda é elevada e tem o perímetro medido. São coletadas então as sementes ou o adubo em diversas linhas do equipamento, ou, quando possível, para comparação com um giro da roda. Se o perímetro era de 2 metros, por exemplo, e o produtor deseja semear 76 sementes, é preciso que a coleta equivalha a 152 sementes após uma rotação - a contagem pode ser feita também em volume ou em gramas.

DIFERENÇA DE PERFIS

Os agricultores com mais tempo na terra regulam melhor o maquinário, mas também têm os seus defeitos, conta o coordenador do estudo. "Ainda que quando falamos de menor experiência estejamos falando de quase 15 anos de plantio direto, são esses produtores que erram mais na regulagem. Mas os mais experientes são os que andam mais 'de salto alto', no excesso de confiança, porque regulam bem a máquina para depois se arriscar com uma velocidade maior no trabalho", explica Casão Junior.

A média de atuação dos produtores com plantio direto e boa regulagem de máquinas é de 25,6 anos, enquanto os menos experientes e que apresentaram erros, quase que de forma generalizada, têm em média 14,6 anos. "O agricultor tem prática e sabe o que é importante, mas é importante que não faça somente em uma linha, mas em ao menos 20% delas", diz Casão Junior.

Para o levantamento, foram avaliadas 38 semeadoras de fluxo contínuo, com número de linhas que variava de 13 a 65, de dez fabricantes nacionais e em 22 regiões do Estado. O trabalho foi observado em propriedades de Marialva, Aquidaban, Farol, Cambé, Rio Branco do Ivaí, Sabáudia, Sarandi, Corbélia, Cascavel, Vera Cruz do Oeste, Céu Azul, Toledo, Guarapuava, Entre Rios e Pinhão, no Paraná. Também foram colhidos dados nas cidades gaúchas Tupanciretã, Joia, Ibirubá, Cruz Alta, Jacutinga e Não Me Toque.

Além de Casão Junior, a equipe do Iapar é formada pelos pesquisadores André Luiz Johann e Hevandro Colonhese Delalibera, além dos técnicos agrícolas Audilei de Souza Ladeira e Alexandre Leôncio da Silva.

Imagem ilustrativa da imagem Falta de regulagem de equipamentos prejudica produtividade no campo
| Foto: Folha Arte
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