Falta de pessoal ameaça pesquisa de café
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sexta-feira, 10 de junho de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Além de perder o status de grande produtor de café no País, o Paraná está muito próximo de deixar de ser referência na pesquisa de desenvolvimento de novas cultivares e técnicas de manejo. A denúncia é do pesquisador Tumoru Sera, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que responde pela área de melhoramento genético de café.
Segundo o pesquisador, a falta de funcionários para lidar com os campos de experimento de café estão quase que inviabilizando a aplicação prática da pesquisa. Da safra atual, os frutos estão secando nos pés sem que tenha gente suficiente para realizar a colheita dentro dos critérios determinados pela pesquisa. ''Grãos para sementes precisam ser colhidos com os frutos no estágio cereja e as colheitas significativas só ocorrem a cada dois anos'', explica o pesquisador.
A equipe da área de melhoramento genético, de acordo com Sera, se resume em seis pessoas: o pesquisador, um técnico e quatro funcionários de nível básico - dois deles com idade avançada e com problemas de saúde. ''Precisaríamos de, no mínimo, oito pessoas para o campo'', calcula Sera. O número de envolvidos diretamente com a pesquisa de laboratório, para o pesquisador, também é reduzido, mas recebe reforço de alunos bolsistas e voluntários vindos das instituições de ensino da cidade. ''Estamos fazendo milagres'', confidencia.
As diversas pesquisas de melhoramento da cafeicultura que estão sendo realizadas no Iapar são custeadas pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa de Café, informa o pesquisador. ''Falta a contrapartida do Estado, a quem caberia a contratação desse pessoal de campo'', revela.
Mesmo com o número reduzido de funcionários a equipe, de acordo com o pesquisador, tem conseguido reduzir pela metade o tempo de geração de novas cultivares, cuja média seria de 30 anos. ''Temos variedades sendo lançadas em 15 anos de pesquisa. Mesmo com um trabalho rústico e sem equipamentos sofisticados, estamos muito próximos da pesquisa da soja e do trigo'', comemora.
Entre os projetos em desenvolvimento, Sera destaca a criação de cultivares resistentes a doenças e pragas como a ferrugem, os nematóides, pseudomonas, broca e bicho-mineiro que provocam sérios danos tanto à qualidade quanto à rentabilidade da cultura. ''Temos um total de 12 novas variedades em processo de lançamento'', salienta.
Essas novas cultivares já estão registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Elas passam por uma avaliação quanto ao comportamento em vários ambientes de cultura no campo. Nesses testes o Iapar possui parceria com dois produtores que disponibilizaram áreas, mão-de-obra e insumos, para os ensaios regionais, informa Tumoru Sera. Além dos ensaios regionais o Iapar possui mais 50 novas unidades demonstrativas por ano, conduzidas em parceria com a Emater, cooperativas e agricultores.


