Falta de matéria-prima atrasa avanço industrial
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A agroindústria Verde Brasil Alimentos Orgânicos, de Piraí do Sul, entrou em 2015 com a expectativa de crescimento de 50% no faturamento sobre 2014, o que não se concretizou. O bom resultado de 30% de alta, conta o sócio da empresa Hário Tieppo, poderia ser maior não fosse a crise político-econômica pela qual o País passa e a falta de oferta de frutas livres de agrotóxicos, para transformá-las em geleias e polpas.
Das 10 toneladas de capacidade de produção da Verde Brasil, Tieppo estima que tem conseguido produzir de 6 a 7 toneladas nos últimos meses. Ociosidade que fez com que a empresa também precisasse demitir alguns funcionários. "Parte é porque aumentou a demanda por produtos in natura e também pelo excesso de chuvas nos últimos dois anos, mas não temos conseguido produtos em larga escala", diz o empresário.
O empresário integra a Comissão da Indústria de Orgânicos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e diz que há falta generalizada de produtos. Por isso, trabalha também na discussão com agricultores. "É complicado. Quando falamos com pequenos produtores, eles ponderam sobre a chance de dar uma praga, de não dar certo, porque dependem disso para sobreviver", conta.
Cerca de 10% do consumo da fábrica é garantido pela plantação de morangos orgânicos do próprio empresário. "Precisamos comprar uma quantidade grande de frutas da época e processar para fazer nosso estoque para o ano, mas não temos conseguido", completa Tieppo.
A marca busca produtos de cooperativas do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul, além de ter contrato de compra de toda a produção de pequenos produtores da região. "Eles vêm aderindo aos orgânicos porque observam que podem ter uma produção equilibrada e uma venda mais constante. O consumo aumenta ano a ano", diz.
Entretanto, o produto orgânico é mais caro e a Verde Brasil depende de grande quantidade de frutas para reduzir os custos logísticos. "O governo, cooperativas e entidades têm um papel importante de coordenar as ações porque é algo que traz renda e bom resultado para todos", sugere.
Mais hortaliças
O coordenador estadual de Olericultura do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Iniberto Hammerschmidt, diz que a produção de frutas orgânicas no Estado é pequena, com 430 propriedades. "É localizado. No Litoral, temos 40 produtores de bananas, um pouco de acerola em Pérola do Oeste, mas o setor que mais tem crescido é o de hortaliças e legumes", conta. Ainda assim, Hammerschmidt considera a quantidade pequena. "De 3 milhões de toneladas de hortaliças ao ano, 50 mil toneladas são de orgânicos. É pouco", cita.
Para o coordenador do Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios que pertence à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Rogério Macedo, é preciso que o produtor entenda que não é pelo custo de produção que o alimento livre de químicos é mais caro ao consumidor. "É a insuficiência de oferta que eleva o preço, porque existe tecnologia e boa produtividade", diz. "O tomate orgânico, por exemplo, é tão ou mais produtivo do que na agricultura convencional."


