Curitiba - Os níveis de intoxicação e óbitos por contaminação de agrotóxicos são alarmantes no Paraná, no Brasil e no mundo. As maiores vítimas são os agricultores familiares e trabalhadores na agricultura que desconhecem a ação dos produtos que manipulam e aplicam nas lavouras.
Preocupada com o atual cenário o número de intoxicações chegam a 800 mil casos por ano no País , a Confederação Nacional dos Trabalhalhadores na Agricultura (Contag) lançou uma campanha nacional de conscientização. O objetivo é informar os agricultores sobre os riscos a que estão expostos.
No Paraná, 14,3 mil pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos entre os anos de 1986 e 2004. Uma média de 754 casos de intoxicação por ano, dois casos por dia. No mesmo período, foram registradas 1.439 mortes, uma média de 75 mortes por ano, seis mortes todos os meses. Somente nos dois primeiros meses deste ano, a Secretaria de Estado de Saúde registrou 54 intoxicações por agrotóxicos, com duas mortes no campo. A médica da Secretaria, Gisélia Rubio, acredita que nem todos os casos registrados são notificados. Portanto, os números devem ser ainda maiores. A estimativa é que, para cada caso, quatro não são informados.
Na maioria das vezes, o agricultor é colocado como o maior culpado pelas intoxicações porque não manipula ou não guarda corretamente os agrotóxicos. Mas, na opinião do professor Sebastião Pinheiro, da Fundacentro do Rio Grande do Sul, o agricultor é apenas uma vítima. Segundo ele, o produtor, de maneira geral, não é informado corretamente sobre o mal que os agrotóxicos podem causar a sua saúde. Casos de câncer, hipertensão, diabetes químicas no meio rural, de acordo com o professor, podem ser associados ao uso intensivo e inadequado de agrotóxicos.
Segundo o professor, o Brasil não dispõe de instrumentos para restringir o uso e manuseio de agrotóxicos como acontece em países europeus e nos Estados Unidos, que estão desacelerando rapidamente a aplicação desses produtos nas lavouras. Na União Européia, a queda no uso é de 21% ao ano e nos Estados Unidos, de 19% ao ano.
Já nos países em desenvolvimento, o consumo tem aumentado. Países da Europa, caso da Alemanha, por exemplo, que antes sediavam grandes indústrias de agrotóxicos estão transferindo suas plantas para países emergentes como China, Indonésia, Argentina, México e Brasil.
O agravante, segundo Pinheiro, é que o controle de qualidade dos produtos que se faz na Europa por imposição dos governos, não existe nos países emergentes, ''onde os governos são mais omissos'', lembrou.''O resultado é a colocação de agrotóxicos de pior qualidade no mercado'', salientou.
Pinheiro lembrou que na Alemanha, assim como em outros países da Europa, ninguém pode manusear uma embalagem de agrotóxico antes de exibir o certificado de um curso, que ensina a correta manipulação do produto e fornece conhecimento dos princípios ativos e reações químicas.(Colaborou Luciana Pombo)

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