Falta de incentivo desanima
O presidente da associação de moradores da Vila Rural Barão de Alexandre em Paiquerê, Elson Quirino dos Santos, garantiu que hoje o maior problema das famílias do local é a falta de incentivo à produção.
O incentivo, de acordo com Elson, teria que ser financeiro, num primeiro momento, e também na organização da produção e venda do que é produzido pelas famílias. A demora na liberação de recursos que as famílias têm direito está desanimando os moradores da vila.
Segundo Elson Quirino a maioria tem procurado alternativas para custear a sobrevivência e pagar as despesas de aluguel, água e luz dos lotes onde estão morando. Mesmo com o apoio da Emater que conseguiu sementes de graça, tem muita gente passando dificuldades. Quem tem outra atividade até conseguiu se virar, mas tem muita gente até com a prestação da casa atrasada, desabafou Elson, que tira parte de sua renda do trabalho na construção de casas no distrito de Paiquerê.
Cada morador paga R$ 20 mensais pela casa e ainda há despesas de água e luz. Para custear as despesas algumas pessoas estão trabalhando na capina da soja em uma fazenda da região, mas não há ocupação para todo mundo.
A diária de um bóia-fria, segundo Elson Quirino, é de R$ 10. Dentro do próprio lote não é impossível gerar esta renda, mas o vileiro tem que cultivar alguma coisa que tenha aceitação no mercado. Com isso não precisaria sair para buscar emprego fora e poderia utilizar a mão-de-obra familiar. Mas teria que haver planejamento para que o comprador viesse buscar a mercadoria.
Elson Quirino acredita que a produção de olerícolas seria uma boa alternativa. Já fizemos até um projeto que tem um custo de R$ 57 mil, mas como não temos acesso ao financiamento estamos esperando que esse dinheiro de fomento possa ajudar no custo da implantação de um sistema de irrigação.
Temos a terra e a mão-de-obra para gerar renda nos lotes, mas faltou o recurso para início da produção, disse Valdecir Ribeiro Caladio, que plantou esse ano arroz, cana, feijão, algodão e um pouco de milho só para consumo. O pai de Valdecir, Lourival Caladio, faz cestos para conseguir outra fonte de renda.
Como não teve dinheiro suficiente para investir no plantio o rendimento do milho será apenas para consumo no lote de José Milton Coelho. O mesmo aconteceu com o arroz e feijão plantados. Em outras lavouras de milho, segundo Coelho, quem tem fonte de renda extra pôde fazer a correção do solo e a adubação e o rendimento deverá ser bom na expectativa dos agricultores, mas eles não terão onde guardar a produção. Não sobrou dinheiro para construir o paiol, disse José Coelho.





