Falta de frio reduz produtividade da ameixa
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sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Reportagem Local 
Não foram só as grandes culturas que sofreram com o clima este ano. Em Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), a queda na produção de ameixas pode chegar a 70% por causa da estiagem e a falta de frio, que afetaram a florada e brotação das ameixeiras.
Segundo o coordenador técnico da Cooperativa Integrada, Aderson Tokushima, que acompanha essa produção, antes de iniciar o período produtivo, a ameixeira passa por um período de dormência. Essa fase de repouso vai de maio a junho e, para garantir uma boa florada, é preciso a ocorrência de baixas temperaturas. ''O ideal é que a planta passe por um período de 200 horas em temperaturas abaixo de 7 graus centígrados'', explica.
Mas o clima não contribuiu com os produtores. O período de frio registrado na região, de acordo com o técnico, não foi tão intenso, provocando um descontrole na floração das duas espécies plantadas na região Reubennel e Irati. Com isso, a produção de ameixas, avalia, terá uma queda de até 70%. A ameixeira, continua Tokushima, precisa de uma outra espécie da fruta para que haja a polinização. ''É fundamental que as duas espécies florem ao mesmo tempo para haver essa fecundação cruzada'', informa.
E, para piorar, a região enfrentou um período de veranico ''fora de hora'' que afetou a polinização das poucas flores que surgiram, pois, ''o calor diminui o potencial de fecundação do pólen'', completa o técnico da Integrada. Além de afetar a floração, a ausência das baixas temperatura impediu ainda a brotação dos galhos. ''Sem folhas, o desenvolvimento dos frutos também foi prejudicado'', diz.
Entre produtores o sentimento é um misto de preocupação e desânimo, como é o caso do agricultor Hiroshi Kamiguchi, que cultiva um hectare da fruta. ''No ano passado, produzi 23 toneladas de ameixa. Este ano, não deve passar de 12 toneladas'', lamenta. A colheita em menor escala deverá ser garantida pela variedade Reubennel. ''Mas na variedade Irati a quebra vai ser grande'', informa Kamiguchi.
O único consolo do produtor é com relação ao preço, já que o problema também foi sentido em outras regiões produtoras. ''Como a produção deve cair em todo o Estado, minha esperança é que a falta de oferta resulte em melhores preços'', espera Kamiguchi.
Na propriedade de Kenji Tanizaki, de três hectares, o desconsolo é ainda maior. A produtividade não deve ultrapassar quatro toneladas por hectare, mesmo com o todo o esforço para fazer nascer o maior número possível de frutas. ''Tentamos coleta de pólen manual, fecundação artificial, irrigação com mais de 140 mil litros de água e nada deu resultado'', relata o produtor.
Tanizaki tentou até auxiliar o processo de polinização com a aplicação da técnica de buquê. Pelo método, como explica, plantas da espécie Reubennel são dispostas em cima da espécie Irati para facilitar a troca de pólen. ''Nem assim tivemos sucesso'', reclama. Kenji Tanizaki também espera que o preço compense parte dos prejuízos da quebra na produtividade das ameixas. ''Na espécie Reubennel a queda na produção deve chegar a 70% e, na espécie Irati, deve superar 90%'', calcula.


