Falta de crédito limita venda de máquinas
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A morosidade na liberação de verba pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é apontada pelas revendedoras de máquinas e implementos agrícolas como a principal responsável pela calmaria do setor.
Segundo Regis Edson Mazzardo, diretor comercial da New Agro, a espera pela verba do Moderfrota que é uma das linhas de crédito está chegando a 90 dias. No próximo mês, o governo federal disponibilizará R$ 250 milhões para ela, mas, na opinião de Hans Wagner gerente de vendas da Tork , o valor é suficiente apenas para cobrir os financiamentos já autorizados.
Embora a taxa de juro praticada pelo BNDES seja equivalente ao mercado, ainda assim ela é alta para os agricultores. Na falta do Moderfrota que cobra 9,75% ao ano para clientes com renda bruta de até R$ 150 mil/ano e 12,75% ao ano para clientes com renda bruta anual superior a esse valor a opção é o Finame Especial que cobra 13,95% ao ano. ''Em ambos casos, o investimento é compensador. Mas, a verdade é que o juro já foi mais barato no passado'', lembra Wagner.
Para o diretor de mercado de agronegócios no Paraná, Sérgio Roberto Mantovani, a análise dos pedidos de financiamento está mais rápida este ano. De acordo com a assessoria de imprensa do BNDES, não há atraso na liberação de verbas aprovadas e o Conselho Monetário Nacional acaba de normatizar a operacionalização do Modercarga linha de crédito para aquisição de caminhões que estará disponível nos bancos em quinze dias.
A esperança dos comerciantes é o dinheiro da soja que deverá aparecer durante as feiras rurais que 'pipocam' em várias regiões do Estado. Apesar da seca que prejudicou a colheita em alguns municípios do Norte, Amauri Caetano de Souza gerente comercial da Horizon acredita que o mercado reagirá graças ao bom preço do produto que chegou R$ 53,00 a saca de 60 quilos na última semana. ''Os produtores que foram afetados pela estiagem não perderão e aqueles que escaparam da intempérie ganharão mais ainda'', opinou Wagner.
Na Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, por exemplo, a New Holand deve apresentar a colheitadeira TC-59 conhecida no mercado desde maio do ano passado. Sua vantagem em relação as outras é a peneira autonivelante que se adapta com facilidade aos desníveis de qualquer terreno. ''Se as vendas forem iguais a 2003, está muito bom'', disse o diretor da New Agro. Expectativa semelhante é a da Valtra que, este ano, trará para Londrina uma plataforma de milho de alumínio, dois modelos de tratores destinados à pulverização de pequenas áreas e uma semeadora com linhas de destrave manual. A John Deer será dona de uma das grandes atrações do setor de máquinas e implementos agrícolas da Exposição caso consiga trazer um exemplar da colheitadeira FTF que custa R$ 750 mil. ''Estamos com dificuldade para liberar o equipamento na alfândega'', explicou Amauri Caetano de Souza, gerente comercial da Horizon para a região Norte, que aposta no investimento de recursos próprios pelo produtores rurais.


